Biden diz que concorda com Xi Jinping em cumprir acordo de Taiwan

Taiwan denunciou 148 aviões da força aérea chinesa nas partes sul e sudoeste de sua zona de defesa aérea durante um período de quatro dias e tensões aumentaram na região

Presidente da China, Xi Jinping, cumprimenta então vice-presidente dos EUA, Joe Biden, em Pequim em 2013
Presidente da China, Xi Jinping, cumprimenta então vice-presidente dos EUA, Joe Biden, em Pequim em 2013 04/12/2013 REUTERS/Lintao Zhang/Pool

Jeff Masonda Reuters

Washington

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O presidente dos EUA, Joe Biden, disse na terça-feira (6) que teve diálogo com o presidente chinês Xi Jinping sobre Taiwan e que as duas partes concordaram em cumprir o “acordo de Taiwan”, em vista do aumento das tensões entre Taipei e Pequim.

“Falei com Xi sobre Taiwan. Nós concordamos…respeitaremos o acordo de Taiwan”, disse ele. “Deixamos claro que não achamos que ele deva fazer outra coisa senão cumprir o acordo.”

Biden provavelmente se referiu à política de longa data de Washington, segundo a qual reconhece oficialmente Pequim em vez de Taipei, e à Lei de Relações com Taiwan, que deixa claro que a decisão dos EUA de estabelecer laços diplomáticos com Pequim em vez de Taiwan depende da expectativa de que o futuro de Taiwan será determinada por meios pacíficos.

Enquanto esse ato obriga os Estados Unidos a fornecer a Taiwan meios para se defender, Washington apenas reconhece a posição da China de que a ilha pertence a ela e de que existe “uma China”, e não se posiciona sobre a soberania de Taiwan.

O Ministério das Relações Exteriores de Taiwan disse que buscou esclarecimentos dos Estados Unidos sobre os comentários de Biden e foi assegurado que a política dos EUA em relação a Taiwan não mudou, o compromisso dos EUA com eles é “sólido como uma rocha” e que os EUA continuarão a ajudar Taiwan a manter suas defesas.

“Enfrentando as ameaças militares, diplomáticas e econômicas do governo chinês, Taiwan e os Estados Unidos sempre mantiveram canais de comunicação próximos e tranquilos”, disse o documento, observando comentários recentes dos EUA sobre preocupação com as atividades da China.

Os comentários aos repórteres na Casa Branca – feitos após o retorno de Biden de uma viagem a Michigan anunciando um pacote de gastos – ocorrem em meio a escaladas na relação Taiwan-China.

A China reivindica Taiwan como parte de seu território, que deve ser tomado à força, se necessário. Taiwan alega que é um país independente e defenderá suas liberdades e democracia, culpando a China pelas tensões.

Taiwan denunciou 148 aviões da força aérea chinesa nas partes sul e sudoeste de sua zona de defesa aérea durante um período de quatro dias, começando na sexta-feira (1), o mesmo dia em que a China marcou um feriado patriótico importante, o Dia Nacional.

Os Estados Unidos instaram a China no domingo (3) a interromper suas atividades militares perto de Taiwan.

“Os Estados Unidos estão muito preocupados com a atividade militar provocativa da República Popular da China perto de Taiwan, que é desestabilizadora, arrisca erros de cálculo e prejudica a paz e estabilidade regional”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, em comunicado no domingo.

Biden também parecia estar se referindo a uma ligação de 90 minutos que manteve com Xi em 9 de setembro, as primeiras conversas em sete meses, nas quais eles discutiram a necessidade de garantir que a competição entre as duas maiores economias do mundo não se transforme em conflito.

Escrita e reportagem adicional de Alexandra Alper e David Brunnstrom, e Ben Blanchard em Taipei; Edição de Chris Reese, Leslie Adler e Lincoln Feast.

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