Bolsonaro foi um pouco excessivo nas palavras ao saudar Putin, diz professor

Em entrevista à CNN, Leonardo Trevisan alertou que o Brasil deve ser cuidadoso diante de um momento de tensão

Vinícius Tadeuda CNNDuda Cambraiada CNN*

São Paulo

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Diante do encontro entre Jair Bolsonaro (PL) e o presidente russo Vladimir Putin na manhã desta quarta-feira (16), o professor de Relações Internacionais da ESPM Leonardo Trevisan afirmou, em entrevista à CNN, que a visita da comitiva brasileira à Rússia acontece em um momento de “terreno absolutamente perigoso”.

Na opinião dele, “qualquer deslize diplomático pode ser levado às últimas consequências com prejuízo para os interesses brasileiros”. Trevisan considerou que Bolsonaro foi “um pouco excessivo nas palavras” ao saudar Putin pela manhã, quando disse “emprestar nossa solidariedade à Rússia”.

“Essa mensagem é clara, perigosamente clara”, avaliou o professor. De acordo com ele, após a manifestação e o comunicado em conjunto dos dois líderes, Bolsonaro tentou consertar suas palavras “reduzindo a tensão e dizendo que a solidariedade era a todos os países”.

Trevisan avaliou a ordem de interesses nacionais que o presidente brasileiro colocou na conversa com Putin: defesa em primeiro lugar, gás em segundo e somente em terceiro lugar os fertilizantes.

“Nós estamos frente a uma situação em que de fato acumulam-se sinais de aproximação que não são bem recebidos em todo o Ocidente”, alertou o professor.

De acordo com Trevisan, “é evidente que o Brasil deveria tomar os seus cuidados com as palavras em um momento de tanta tensão como esse”.

Na avaliação do professor, a crise no Leste Europeu levará a outras discussões lideradas por Putin, que visam principalmente estabelecer fronteiras seguras para a Rússia em regiões como a Ucrânia, Geórgia e Belarus.

Trevisan ainda considera que a crise se distensionou, mas que haverá uma segunda fase de conversas “onde nós vamos pensar no dia seguinte nesse processo”.

*Supervisionada por Layane Serrano

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