Bote inflável vira na Líbia e deixa 53 migrantes mortos
Embarcação tinha 55 pessoas a bordo e uma das sobreviventes afirmou ter perdido dois bebês

Pelo menos 53 migrantes, incluindo dois bebês, morreram ou estão desaparecidos após um bote inflável com 55 pessoas a bordo ter virado na costa da Líbia, informou a OIM (Organização Internacional para as Migrações) nesta segunda-feira (9).
O bote partiu de Zawiya na quinta-feira (5) e virou perto de Zuwara na sexta-feira (6), disse a OIM em um comunicado, citando os sobreviventes. Zawiya e Zuwara são cidades costeiras a oeste da capital líbia, Trípoli.
"Apenas duas mulheres nigerianas foram resgatadas durante uma operação de busca e salvamento realizada pelas autoridades líbias. Uma sobrevivente relatou a perda do marido, enquanto a outra disse ter perdido seus dois bebês na tragédia", afirmou a OIM.
Mais de 1.300 migrantes desapareceram no Mediterrâneo Central em 2025, segundo a agência da ONU.
Somente em janeiro, pelo menos 375 migrantes foram dados como mortos ou desaparecidos na região após múltiplos naufrágios "invisíveis" em meio a condições climáticas extremas, e acredita-se que centenas de outras mortes não foram registradas.
"O caso mais recente eleva o número de migrantes mortos ou desaparecidos na rota em 2026 para pelo menos 484", afirmou a agência.
Em meados de janeiro, pelo menos 21 corpos de migrantes foram encontrados em uma vala comum no leste da Líbia.
Até 10 sobreviventes do grupo apresentavam sinais de terem sido torturados antes de serem libertados do cativeiro, segundo duas fontes de segurança.
Outras duas fontes afirmaram que, dois dias depois, as autoridades de segurança líbias libertaram mais de 200 migrantes do que descreveram como uma prisão secreta na cidade de Kufra, no sudeste do país, após terem sido mantidos em cativeiro em condições desumanas.
Desde a queda de Muammar Gaddafi em 2011, numa revolta apoiada pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a Líbia se tornou uma rota de trânsito para migrantes que fogem de conflitos e da pobreza para a Europa, atravessando rotas perigosas pelo deserto e pelo Mediterrâneo.
Diversos países, incluindo o Reino Unido, a Espanha, a Noruega e a Serra Leoa, alertaram a Líbia, numa reunião da ONU (Organização das Nações Unidas) em Genebra, em novembro, a encerrar os centros de detenção onde, segundo grupos de direitos humanos, migrantes e refugiados têm sido torturados, abusados e, por vezes, mortos.


