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    Corredor da morte: 640 pessoas já morreram tentando chegar à Europa pela Líbia só neste ano

    Imigrantes perderam a vida tentando cruzar o Mediterrâneo, no trecho final de uma das maiores rotas de tráfico humano da África. CNN Freedom Project, às 21h30 deste domingo, traz detalhes sobre os horrores dessa região

    Quase 19 mil pessoas estão desaparecidas desde 2014 no Mediterrâneo e, em 2022, havia, na Líbia, mais de 690 mil migrantes e refugiados à espera de conseguir asilo
    Quase 19 mil pessoas estão desaparecidas desde 2014 no Mediterrâneo e, em 2022, havia, na Líbia, mais de 690 mil migrantes e refugiados à espera de conseguir asilo Aline Sgarbi

    Aline Sgarbida CNN

    São Paulo

    Os números de migração voltaram a subir no mundo pós-pandemia. Depois de uma queda em 2020, refugiados e migrantes voltaram a se arriscar em uma jornada perigosa na tentativa de chegar à Itália. Quase 19 mil pessoas estão desaparecidas desde 2014 no Mediterrâneo e, em 2022, havia, na Líbia, mais de 690 mil migrantes e refugiados à espera de conseguir asilo.

    Quando não conseguem concluir a travessia e são trazidos de volta a Tripoli, esses grupos são levados a centros de detenção, e enfrentam situações de abuso, exploração e violência sexual.

    Cerca de 70% daqueles que tentam cruzar ilegalmente são homens. Mas as mulheres que se arriscam são ainda mais vulneráveis: pelo menos metade delas alegou ter vivido algum tipo de violência sexual nessa jornada.

    Uma realidade que a correspondente internacional da CNN, Nima Elbagir, viu de perto. Em 2017, ela conseguiu com exclusividade um vídeo que revelava um leilão de seres humanos na Líbia.

    “Estávamos cobrindo a história do início da crise migratória. Estávamos na Sicília, em um centro de recepção, quando um imigrante etíope extraordinário nos abordou e descreveu uma cena totalmente incompreensível de pessoas sentadas no chão de depósitos. E comerciantes, construtores e fazendeiros líbios entravam lá, escolhiam entre eles, que em seguida ouviam que não tinham escolha a não ser serem vendidos”, conta ela.

    Por três anos, ela e sua equipe investigaram o caso até que conseguissem acessar um destes leilões, com lances que podiam chegar ao equivalente a R$ 1.200 por cada pessoa vendida.

    Depois do endurecimento de políticas e do sentimento anti-imigração, o problema passou a ser da Líbia, que se viu obrigada a lidar com uma crise humanitária, por causa do volume de pessoas chegando.

    “Traficantes mantinham os imigrantes em depósitos e os vendiam, caso houvesse superlotação, ou os imigrantes ficassem sem dinheiro”, conta a repórter.

    “Estou nessa jornada há um ano em quatro meses. Eu perdi muito. Porque gastei minhas últimas economias para sair do país”, explica Victory, um jovem nigeriano que a repórter encontrou em um centro de detenção.

    Ele deixou a Nigéria para tentar chegar à Europa, foi traficado, vendido como escravo e acabou sendo resgatado. Ali, ele estava à espera de ser enviado de volta para casa.

    Para mostrar onde começa essa rota, a equipe da CNN foi até a Nigéria, especificamente ao estado de Edo, conhecido como um centro de tráfico humano. Os detalhes sobre quem são os traficantes e como eles usam inclusive transporte público em algumas etapas dessa viagem são também uma evidência de como eles confiam na impunidade.

    “Temos que ver isso como uma rede criminosa transnacional, que não apenas cria sua própria oferta, mas também alimenta a demanda”, diz Nima Elbagir. “Não existe uma solução fácil para isso. Talvez ver as pessoas de forma humana, e dar a elas o direito de ter ambições”.