Brasil e 10 países votam por resolução crítica à Rússia na ONU; China se abstém

Com veto da própria Rússia, resolução não avança; texto deve ir à Assembleia-Geral das Nações Unidas

Vinícius Tadeuda CNN

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Nesta sexta-feira (25), o Conselho de Segurança da ONU atraiu os olhares do mundo ao se reunir, na sede das Nações Unidas em Nova York, para discutir o conflito entre Rússia e Ucrânia. Uma resolução que condena a invasão russa e pede a retirada imediata das tropas foi apresentada e votada pelos membros do Conselho.

Dos 15 membros, 11 votaram a favor da medida, três se abstiveram e um votou contra. O voto contrário foi justamente da Rússia que, por ser integrante permanente do Conselho de Segurança, tem direito a veto. Dessa forma, a resolução foi vetada e não conseguiu ser aprovada na reunião.

Agora, a expectativa é para que o projeto seja analisado na Assembleia-Geral das Nações Unidas, que conta com 193 membros. Na reunião desta sexta, o Brasil declarou voto favorável ao projeto crítico à Rússia. Veja como votou cada país:

  • A favor: Albânia, Brasil, Estados Unidos, França, Gabão, Gana, Irlanda, México, Noruega, Quênia e Reino Unido;
  • Contra: Rússia;
  • Abstenções: China, Emirados Árabes Unidos e Índia;

O Conselho de Segurança é um órgão da ONU criado para preservar a paz e a manutenção do sistema de segurança internacional. O colegiado é composto por cinco membros permanentes (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia) que possuem poder de veto e outros dez integrantes alternados que são eleitos para mandatos de dois anos.

A resolução votada nesta sexta pedia que a Rússia retirasse imediatamente suas forças militares do território ucraniano, deixasse de reconhecer como independentes as regiões separatistas de Donetsk e Luhansk e acabasse imediatamente com o uso da força.

Reunião tensa na ONU

Justamente por marcar a posição de diferentes nações sobre o conflito na Ucrânia, o Conselho se tornou um espaço de forte pressão internacional contra a Rússia, responsável por presidir a reunião.

Os Estados Unidos, que apresentaram a resolução, fizeram o primeiro discurso e defenderam a imposição de “consequências sérias sobre a Rússia por sua invasão à Ucrânia”. O governo americano afirmou que Putin violou a Carta da ONU ao invadir seu país vizinho.

“Esse é um voto simples. Vote sim para defender a Carta da ONU, o direito à soberania de qualquer país e se a Rússia deve ser responsabilizada por ações. Votem não ou se abstenham se não defendem a Carta da ONU e se alinhas com as ações injustificadas da Rússia”, disse a embaixadora dos EUA na ONU Linda Thomas-Greenfield.

Havia uma grande expectativa sobre o posicionamento da China que, até o momento, se recusou a classificar os movimentos russos como “invasão”. O país asiático se coloca a favor do diálogo entre as partes envolvidas no conflito, e chegou a culpar os EUA por “exagerar” na perspectiva de expansão da Otan para o Leste Europeu.

Com a abstenção ao voto, o governo chinês continua evitando uma posição comprometedora. Em seu pronunciamento, o embaixador Zhang Jun defendeu que “Rússia e Ucrânia resolvam os problemas através de negociações” e afirmou que o fim da crise requer o abandono da “mentalidade de Guerra Fria”.

O embaixador da Rússia na ONU, Vasily Nebenzya, defendeu as decisões do presidente Vladimir Putin, e classificou a resolução como “anti-Rússia”. O porta-voz do governo russo ainda disse que as tropas russas não estão bombardeando cidades ucranianas.

Brasil defende o “fim das hostilidades”

Na primeira manifestação oficial do Brasil condenando a invasão russa à Ucrânia, o embaixador Ronaldo Costa Filho criticou a “gravidade da situação”. “Renovamos nosso apelo pela cessação total das hostilidades, pela retirada das tropas e pela retomada imediata do diálogo diplomático”, afirmou o representante brasileiro.

O Itamaraty considerou na reunião do Conselho que “uma linha foi cruzada” e expressou “preocupação com a decisão russa de enviar tropas em operações militares em terra, causando perda de vida e perigo à população ucraniana”.

“As preocupações de segurança manifestadas pela Federação Russa nos últimos anos, particularmente em relação ao equilíbrio estratégico na Europa, não dão à Rússia o direito de ameaçar a integridade territorial e a soberania de outro Estado”, disse o embaixador brasileiro.

Entenda o conflito

Após meses de escalada militar e intemperança na fronteira com a Ucrânia, a Rússia atacou o país do Leste Europeu. No amanhecer de quinta-feira (24), as forças russas começaram a bombardear diversas regiões do país – acompanhe a repercussão ao vivo na CNN.

Horas antes, o presidente russo, Vladimir Putin, autorizou uma “operação militar especial” na região de Donbas (ao Leste da Ucrânia, onde estão as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, as quais ele reconheceu independência).

O que se viu nas horas a seguir, porém, foi um ataque a quase todo o território ucraniano, com explosões em várias cidades, incluindo a capital Kiev.

De acordo com autoridades ucranianas, dezenas de mortes foram confirmadas nos exércitos dos dois países.

Em seu pronunciamento antes do ataque, Putin justificou a ação ao afirmar que a Rússia não poderia “tolerar ameaças da Ucrânia”. Putin recomendou aos soldados ucranianos que “larguem suas armas e voltem para casa”.

O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira. Esse ataque ao ex-vizinho soviético ameaça desestabilizar a Europa e envolver os Estados Unidos.

Mapa da Ucrânia
Mapa da Ucrânia com destaque para as regiões de Donetsk e Luhansk / Foto: Reprodução/CNN Brasil

A Rússia vem reforçando seu controle militar em torno da Ucrânia desde o ano passado, acumulando dezenas de milhares de tropas, equipamentos e artilharia nas portas do país. Nas últimas semanas, os esforços diplomáticos para acalmar as tensões não tiveram êxito.

A escalada no conflito de anos entre a Rússia e a Ucrânia desencadeou a maior crise de segurança no continente desde a Guerra Fria, levantando o espectro de um confronto perigoso entre as potências ocidentais e Moscou.

(Com informações de Sarah Marsh e Madeline Chambers, da Reuters, e de Eliza Mackintosh, da CNN) 

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