Brasil é um dos países mais transparentes na questão ambiental, indica estudo

Estados do Rio de Janeiro, de Alagoas e o município de Santos, em São Paulo, aparecem como destaques positivos

Floresta Amazônica
Floresta Amazônica De Agostini/Getty Images

Lucas Janoneda CNN

Rio de Janeiro

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O Programa de Divulgação de Emissão de Carbono (CDP) – organização internacional sem fins lucrativos que mede o impacto ambiental no planeta – trouxe em seu boletim mais recente, lançado nesta quarta-feira (8), o Brasil como um dos seis países que mais se destacaram em 2021 no quesito transparência ambiental.

Isso significa que estados e municípios brasileiros foram alguns dos que mais abriram dados sobre os problemas ambientais e mostraram como atuam para amenizá-los. Segundo o levantamento, o Brasil espera reduzir a emissão de carbono em aproximadamente 40% até 2030. E, em 2060, a meta é que a emissão praticamente zere.

Além do Brasil, os países em destaque no levantamento do CDP foram Estados Unidos, Reino Unido, Itália, Japão e Quênia. O estudo intitulado “Trabalhando juntos para vencer a crise climática: cidades na rota de 2030” tem como base os dados anunciados pelas prefeituras e governos estaduais de todas as nações.

elo menos mil cidades espalhadas pelo mundo foram ouvidas pela pesquisa.

“Neste relatório, enfocamos a ação subnacional em cidades, estados e regiões em seis países dos cinco continentes, onde vimos um aumento significativo (de participação) nos relatórios ao CDP sobre ações climáticas. No relatório, pedimos que as cidades realizassem uma série de ações, incluindo a adoção de uma meta climática com base científica e o desenvolvimento de planos de adaptação”, destaca um trecho do documento divulgado nesta quarta-feira (8).

Segundo o relatório, as principais mudanças climáticas percebidas pelos estados e municípios brasileiros são tempestades, alagamentos, vendavais e enchentes. Dentre as 70 cidades brasileiras que participaram do estudo, 90% estão enfrentando riscos climáticos.

Com o intuito de reverter o cenário, três localidades do Brasil se destacam, segundo o estudo. Os estados do Rio de Janeiro, Alagoas e a cidade de Santos, em São Paulo, foram as que apresentaram mais dados de como planejam mudar esse cenário.

“O Rio de Janeiro está trabalhando de forma proativa com outras cidades do Brasil para enfrentar as ameaças da água que enfrenta, por exemplo”, aponta o CDP. A CNN adiantou, há duas semanas, que o projeto de limpeza do complexo lagunar da capital carioca deve sair do papel em meados do mês de dezembro de 2021.

De acordo com a expectativa da Iguá, empresa que venceu a licitação para operar os serviços de água e esgoto do bloco 2 (Barra, Jacarepaguá, Paty do Alferes e Miguel Pereira), o programa de limpeza do sistema de lagoas tem prazo para ser entregue em meados de 2022. Aproximadamente um milhão de cariocas dependem do sistema lagunar, que banha 17 bairros da capital fluminense.

A pesquisa do CDP também traz como destaque positivo o estado de Alagoas, que implementou um Sistema de Redistribuição de Água, programa estadual em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Regional. Segundo o estudo, o projeto visa dar segurança hídrica às comunidades que lutam para encontrar água potável.

Por fim, o levantamento ressalta as ações tomadas pelo município de Santos, que ‘trabalha com o Ministério do Desenvolvimento para mapear os principais desafios ambientais e desenvolver soluções para solucioná-las”.

O relatório também detalha as ações realizadas em cidades dos outros cinco países que se destacaram neste ano, no quesito transparência e ações ambientais. Por exemplo, em Bristol, no Reino Unido, a prefeitura reúne evidências de mudanças climáticas de forma cotidiana para ajudar a informar e influenciar políticas governamentais.

Já o estado da Califórnia, nos Estados Unidos, está oferecendo incentivos – além de impor regulamentações – para reduzir as emissões de gases de efeito estufa de todos os setores, aponta o estudo.

Em âmbito mundial, a pesquisa mostra que uma em cada três cidades no mundo dizem necessitar de apoio financeiro de outras instâncias de governo, como estadual e federal, para aplicar medidas contra os problemas climáticos.

Já 75% dos municípios garantem, que apesar da dificuldade econômica, estão realizando parceria com empresas para reduzir os impactos ambientais.

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