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    Brasil segue ONU e não reconhece Hamas como terrorista, afirma Lula

    Declaração foi dada pelo presidente da República na manhã desta sexta-feira (27), em café da manhã com jornalistas

    Lula recebe jornalistas em café da manhã promovido no dia do seu aniversário de 78 anos, nesta sexta-feira (27)
    Lula recebe jornalistas em café da manhã promovido no dia do seu aniversário de 78 anos, nesta sexta-feira (27) REUTERS/Adriano Machado

    Pedro Jordãoda CNN

    São Paulo

    O Brasil não reconhece o Hamas como organização terrorista, seguindo a visão da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta sexta-feira (27). No entanto, ele disse que o país vê as ações do grupo radical islâmico como atos terroristas.

    “A posição do Brasil é a mais clara e nítida possível. O Brasil só reconhece como organização terrorista aquilo que o Conselho de Segurança da ONU reconhece, e o Hamas não é reconhecido pelo Conselho como organização terrorista, porque ele disputou eleições na Faixa de Gaza e ganhou”, declarou Lula a jornalistas.

    “O que nós dissemos é que o ato do Hamas foi terrorista. Dissemos isso em alto e bom som. Que não é possível fazer um ataque, matar inocentes, sequestrar gente, da forma como eles fizeram, sem medir as consequências do que acontece depois, porque, agora, o que nós temos é a insanidade do primeiro-ministro de Israel, querendo acabar com a Faixa de Gaza, esquecendo que lá não tem só soldados do Hamas, mas mulheres e crianças, as grandes vítimas da guerra”, completou.

    Lula também reforçou seu compromisso em resgatar os brasileiros que estão na região do conflito no Oriente Médio e que pretende dialogar com todos os lados para atingir esse objetivo.

    “Nós não deixaremos um único brasileiro ficar em Israel ou na Faixa de Gaza. Nós vamos tentar buscar todos, porque esse é o papel do governo brasileiro. Se eu tiver informação a ‘Lula, tem o presidente de tal país que é amigo do Hamas’, é para esse que eu vou ligar: ‘fala para o Hamas libertar o refém!'”, comentou o presidente.

    O avião da Presidência do Brasil está há uma semana no Cairo, Egito, aguardando um acordo entre as autoridades da região para que a passagem de Rafah, na fronteira entre o Egito e a Faixa de Gaza seja aberta para que os brasileiros possam passar e serem trazidos de volta ao Brasil.

    Lembrando a guerra da Rússia contra a Ucrânia, Lula também destacou que a posição do Brasil é em favor da paz e que isso não significa entrar na guerra apoiando um lado ou outro.

    “Vou continuar falando em paz. A coisa mais impressionante é superar o poder das balas com o poder da conversa. O poder do diálogo é capaz de vencer a bomba mais poderosa que o ser humano é capaz de produzir”, disse.

    “A posição do Brasil foi extraordinária, reconhecida e elogiada por todo mundo nas Nações Unidas (…) A nossa posição é clara: todas as guerras, não há um lado mais culpado”, finalizou.

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    Aniversário e saúde

    Lula completa 78 anos de idade nesta sexta-feira (27). Esse o encontro com jornalistas foi um dos primeiros eventos presenciais que o presidente participou após realizar uma cirurgia no quadril, no final do mês de setembro.

    Ele disse que estava recuperado e se sentindo bem. “Uma recuperação que eu não acreditava que pudesse ser tão rápida”, comentou.

    Além disso, ele adiantou que deverá retomar sua agenda de viagens em breve, tanto por países do mundo quanto internamente no Brasil.

    “Minha primeira viagem será para a COP28, nos Emirados Árabes. Depois, eu passo na Alemanha, porque tem um debate entre empresários brasileiros e alemães. E, antes dos Emirados, no dia 30, estou pensando em passar na Arábia Saudita para fazer uma apresentação do parque aos empresários e investidores”, disse.

    “E, depois, quando retornar, vou começar a viajar o Brasil. O ano que vem será o ano inteiro de viagem pelo Brasil para lançamento de obras do PAC, de inauguração do Minha Casa Minha Vida, de escolas técnicas, escolas federais, lançar novas universidades neste país. Porque o Brasil não pode perder a oportunidade de fazer aquilo que é nosso compromisso, para que o Brasil se transforme definitivamente um país de primeiro mundo. Estamos cansados de ser um país de primeiro mundo”.