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    Brasileira é atacada por cachorros de rua e quase morre no Atacama

    “Foram uns dez minutos sendo mordida e arrastada”, relata jovem que precisou de transfusão de sangue

    Brasileira Clara de Oliveira que foi vítima de ataque de cães no Chile
    Brasileira Clara de Oliveira que foi vítima de ataque de cães no Chile Aqruivo pessoal

    Luciana Taddeoda CNN Buenos Aires

    Uma brasileira de 25 anos teve que passar por transfusão de sangue e cirurgia após ser atacada por uma matilha de cachorros na cidade de San Pedro de Atacama, no Chile.

    Clara de Oliveira, de 25 anos, trabalha como vendedora de passeios turísticos e mora há dois anos na cidade turística localizada no meio do deserto, no norte do país sul-americano.

    Da cama do hospital em Calama, cidade vizinha com maior estrutura hospitalar, para onde teve que ser transportada devido à gravidade das feridas, Clara contou em entrevista por telefone à CNN, que o ataque ocorreu durante a tarde na rua onde mora na última quinta-feira (4), em uma região central de San Pedro.

    “Moro em uma rua bem movimentada, com escola, mas eram duas da tarde, e as pessoas não ficam na rua nesse horário por causa do Sol, que é muito forte aqui. Não tinha ninguém na rua e nenhum carro passando. Primeiro fui atacada por um cachorro pequeno, que mordeu só minha calça. Eu gritei e ele saiu correndo”, relata.

    “Continuei andando e ele voltou acompanhado com cerca de 8 a 10 cachorros, que me atacaram por trás e me derrubaram. Fiquei de oito a dez minutos sendo mordida e arrastada de um lado para o outro pelos cachorros até alguém escutar”, adiciona.

    Clara acabou sendo salva por um motorista que, segundo ela, ao ver a cena, buzinou muito e avançou com o carro em direção aos cachorros para espantá-los.

    “Morderam minha perna, glúteos, meu braço esquerdo da axila até o cotovelo e o direito inteiro, e minhas costas, que também ficaram muito raladas porque me arrastavam de um lado para o outro. Perdi muito sangue, fiz transfusão e cirurgia, e estou com um dreno na perna. Agora meu quadro já é bem estável, mas ainda não tenho previsão de alta”, relembra.

    “Não lembro muito bem como foi o ataque, porque fui desmaiando de dor, acordando no meio do processo, tentando espantá-los para não pegarem meu rosto. Por isso meu braço está bem mordido”, disse.

    Em uma das várias feridas que tem pelo corpo, Clara diz que teve que levar mais de 20 pontos em uma mordida que levou na coxa. “Quando cheguei ao hospital eu gritava e chorava muito, assustada, até eles me darem calmante. Estava em estado de choque”, conta.

    “Foi muito forte para mim”, diz, detalhando ter 43 kg e 1,57m de altura e ter perdido muito sangue durante o ataque.

    “Quase morri. Se o motorista não tivesse chegado naquele minuto… eu já estava esperando que me matassem, lembro que pensava muito para me matarem logo, que fosse rápido, porque eu estava em estado de desespero no chão e não tinha mais forças para gritar, então eu queria que acabasse logo, porque eu achava que ninguém ia passar”, conta.

    Cães suspeitos de atacar brasileira no Chile são vistos em câmera de segurança / Reprodução

    Segundo Clara, os ataques com cachorros não são incomuns na cidade. Ela lembra da morte da guia de turismo Daniela Gamboa, de 27 anos, em outubro do ano passado, após ser atacada por uma matilha. No mesmo mês, um menino de 5 anos perdeu a orelha em um ataque de cachorros.

    “Tem vários amigos brasileiros que contam que estavam andando de bicicleta e vários cachorros correram atrás deles, mas não conseguiram pegá-los”, afirma ela, dizendo acreditar não ser somente uma matilha a responsável pelos ataques.

    Ela também conta que a rua em que foi atacada não é muito usada por turistas, mas que se preocupa pela quantidade de crianças que circulam pelo local.

    Procurada pela CNN, a prefeitura de San Pedro de Atacama afirmou que arcará com os gastos médicos da brasileira.

    Sebastián Carreño, Diretor de Segurança Pública do município, afirmou ter identificado a matilha em câmeras de segurança: “Alguns cachorros que a atacaram são selvagens e alguns são de domicílios particulares. Fomos ao domicílio do dono de alguns, mas ninguém atendeu. Isso dificulta a fiscalização. Os vizinhos se protegem e dizem que os cachorros são da rua”, explica.

    Segundo ele, esses ataques aumentaram nos últimos quatro meses, mas “não são tão comuns”. “São casos fortuitos, não é que acontecem todos os dias. O caso da Daniela foi em outubro do ano passado, o da Clara foi agora. Teve três meses entre eles. É uma questão de preocupação dos cidadãos porque gera uma histeria coletiva”, diz.

    Carreño reconhece, no entanto, que o problema não foi tratado nos últimos anos. “Estamos tomando as rédeas do assunto e uma determinação foi publicada nesta segunda (8), endurecendo as multas para os donos e responsáveis por cachorros [que ataquem a população]”, garante.

    Segundo ele, Clara conseguiu reconhecer somente dois dos oito cachorros que a morderam. Ao todo, a prefeitura de San Pedro de Atacama tem 4.500 cachorros cadastrados, somando domésticos e silvestres.

    À reportagem, o consulado do Brasil em Santiago afirmou que nenhum pedido de apoio à vítima foi feito até o momento.