Camboja indicará Trump para prêmio Nobel da Paz, diz autoridade

Presidente dos Estados Unidos interviu diretamente no conflito na fronteira da Tailândia

Martin Petty, Chantha Lach, Chantha Lach e Devjyot Ghoshal, da Reuters
Compartilhar matéria

O Camboja indicará o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para o Prêmio Nobel da Paz, disse o vice-primeiro-ministro Sun Chanthol, nesta sexta-feira (1).

A indicação acontece após a intervenção direta do americano para conter o recente conflito na fronteira do país do Sudeste Asiático com a Tailândia.

Quando questionado por mensagem de texto para confirmar o plano do Camboja de indicar Trump para o prêmio, Chanthol respondeu "sim".

Em declarações a repórteres na capital Phnom Penh, Chanthol agradeceu ao republicano por trazer a paz e falou que ele merecia ser indicado.

O Nobel da Paz é o prêmio internacional de mais alto nível concedido a um indivíduo ou organização que tenha feito o máximo para "promover a amizade entre nações".

O Paquistão afirmou em junho que recomendaria o presidente americano para o Prêmio Nobel da Paz pelo trabalho de ajudar a resolver o conflito com a Índia, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou no mês passado que também havia indicado Trump.

Foi um apelo do republicano na semana passada que interrompeu o impasse nos esforços para encerrar os conflitos mais intensos entre Tailândia e Camboja em mais de uma década, levando a um cessar-fogo negociado na Malásia na segunda-feira (28), informou a agência de notícias Reuters.

Após o anúncio da trégua, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou em uma publicação no X que Trump tornou isso possível.

"Deem a ele o Prêmio Nobel da Paz!", ela disse.

Pelo menos 43 pessoas foram mortas nos intensos confrontos, que duraram cinco dias e deslocaram mais de 300 mil pessoas nos dois lados da fronteira.

"Reconhecemos seus grandes esforços pela paz", falou o vice-primeiro-ministro Sun Chanthol, que também é o principal negociador comercial do Camboja, acrescentando que o país também estava grato pela redução da tarifa em 19%.

Washington havia inicialmente ameaçado uma tarifa de 49%, posteriormente reduzindo-a para 36%, um nível que teria dizimado o vital setor de vestuário e calçados do Camboja, disse Chanthol à Reuters em entrevista nesta sexta-feira (1°).

Entenda o conflito entre Tailândia e Camboja

Tailândia e Camboja têm mantido uma relação complexa de cooperação e rivalidade nas últimas décadas. Os países compartilham uma fronteira terrestre de 817 km.

A demarcação foi feita pela França, que controlava o Camboja como colônia. A divisão resultou em uma disputa antiga que envolve áreas onde ficam locais históricos e templos, que os dois países reivindicam propriedade.

Em julho deste ano, os países trocaram ataques. A escalada de ofensivas começou depois que dois soldados tailandeses, em apenas uma semana, perderam a perna na explosão de uma mina terrestre, que, segundo Bangkok, foi colocada pelo Camboja no território tailandês da fronteira.

Isso aumentou as tensões diplomáticas e as ofensivas na fronteira.

Após cinco dias de conflitos, que causaram a morte de mais de 40 pessoas das duas nações, o Camboja e a Tailândia concordaram em um cessar-fogo no dia 28 de julho.