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    Camilla Parker Bowles: conheça a ex-amante de Charles que se tornou rainha consorte

    Camilla casou-se com o então príncipe Charles em 2005, após viverem anos em um relacionamento extraconjugal

    Douglas Portoda CNN*

    em São Paulo

    Ex-amante do então príncipe Charles, a inglesa Camilla Parker Bowles, 75 anos, é a rainha consorte do Reino Unido desde setembro do ano passado, depois que a rainha Elizabeth II morreu, aos 96 anos.

    O agora rei Charles III será coroado neste sábado (6). As cerimônias ocorrerão ao longo de todo o fim de semana e contarão com a presença da rainha consorte.

    Charles e Camilla se conheceram na década de 1970, mas só se casaram em 2005. Eles mantiveram um relacionamento enquanto ambos eram casados com outras pessoas: ele com a princesa Diana; ela com Andrew Henry Parker Bowles.

    Nascida em 17 de julho de 1947 em Londres, a hoje rainha consorte foi batizada com o nome de Camilla Rosemary Shand. É filha do major do Exército Britânico Bruce Shand e de Rosalind Shand, filha do 3º Barão de Ashcombe. Camilla tem uma irmã, Annabel, e um irmão, Mark.

    A mãe de Camilla morreu em 1994 em decorrência de osteoporose, mesma causa do falecimento de sua avó. A rainha consorte atua desde 2001 como presidente da Real Sociedade de Osteoporose.

    Seu pai veio a óbito em 2006 e seu irmão, em 2014.

    Um curioso fato em sua família a liga ao marido: sua bisavó, Alice Keppel, foi amante do rei Edward VII, trisavô de Charles.

    Criação e encontro com Charles

    Criada no interior da Inglaterra, desenvolveu uma paixão por cavalos. Camilla frequentou a escola Dumbrells, em Sussex, no sul do país, depois foi para a Queen’s Gate, em Kensington, na capital. Posteriormente iria para a escola Mon Fertile, na Suíça, e ao Institut Britannique, em Paris.

    Ela teria conhecido em 1970 o então príncipe de Gales, Charles, durante uma partida de polo em Windsor. Na ocasião eles se tornaram amigos.

    No ano seguinte, Charles ingressou na Marinha Real e, enquanto esteve fora, Camilla se casou com o oficial do Exército Andrew Henry Parker Bowles, com quem teve dois filhos, Thomas Henry e Laura Rose.

    Dez anos depois, o herdeiro do trono viria a se casar com Diana Spencer, –a princesa Diana– em uma grande cerimônia, assistida por milhões de pessoas em todo mundo. Eles também tiveram dois filhos, os príncipes William e Harry.

    Entretanto, Charles e Camilla mantiveram um caso extraconjugal durante esse tempo e tudo viria à tona em 1994, com a admissão pública do príncipe. A informação seria confirmada pela própria Diana durante uma entrevista à “BBC”, quando ela disse: “Havia três de nós neste casamento, então estava um pouco lotado.”

    O primeiro divórcio a acontecer foi o de Camilla e Andrew, em 1995. O Charles e Lady Di viriam a se separar no ano seguinte.

    Entretanto, toda a situação fez com que Camilla sumisse dos holofotes, com a população e a mídia ao lado de Diana.

    O sentimento pró-Diana e anti-Camilla foi agravado pela demonstração de simpatia pela princesa depois de sua morte em um acidente de carro em Paris no ano de 1997.

    Em 1999, a realeza embarcou em um programa para reintroduzir Camilla ao público. Sua primeira aparição foi cuidadosamente orquestrada com Charles fora do Ritz Hotel em Londres.

    Ela se mudaria posteriormente para a Clarence House, ficando com Charles. Seu nome passou a ser citado oficialmente.

    Casamento com Charles

    Camilla, rainha consorte, e o rei Charles III / Getty Images

    Em 2005 Camilla e Charles se casaram em Windsor, com o consentimento da rainha Elizabeth II. Cerca de 800 convidados ocuparam a capela de São Jorge.

    Na ocasião, Camilla deixou claro que pretendia ser conhecida no futuro apenas como “princesa consorte”, apesar de ter direito ao título de rainha.

    O gesto foi visto como reconhecimento da sensibilidade em torno de um título destinado à Diana.

    Com o passar dos anos, as atitudes em relação à Camilla se suavizaram. Em 2015, uma pesquisa da CNN revelou que um em cada quatro britânicos passou a gostar mais dela e menos pessoas se opuseram que fosse conhecida como rainha.

    Em fevereiro de 2022, durante a comemoração do Jubileu de Platina, que marcou 70 anos do reinado de Elizabeth II, a rainha deu a benção para que Camilla algum dia se tornasse rainha consorte.

    “Quando, na plenitude dos tempos, meu filho Charles se tornar rei, sei que você dará a ele e a sua esposa Camilla o mesmo apoio que você deu meu; e é meu desejo sincero que, quando chegar a hora, Camilla seja conhecida como rainha consorte enquanto continua seu próprio serviço leal”, citou Elizabeth II em uma mensagem.

    Em resposta, um porta-voz de Charles e Camilla disse que eles ficaram “tocados e honrados com as palavras de Sua Majestade”.

    Foi uma intervenção de enorme significado por parte do monarca, a única pessoa que pode definir os títulos régios.

    O movimento de Elizabeth para garantir o futuro da monarquia enfatizou que Camilla não era mais vista –publicamente ou dentro dos muros do palácio– como a amante real, mas sim como uma figura central no coração da realeza.

    Compromissos na realeza

    A duquesa lançou-se à vida como membro da realeza, apoiando Charles em compromissos oficiais no Reino Unido e em viagens ao exterior, apesar de seu profundo medo de voar. Ela rapidamente se tornou um trunfo para a família real e para o governo britânico com sua capacidade de dissipar a tensão em uma sala.

    “É sempre bom ter alguém do seu lado”, disse o então príncipe Charles à CNN em 2015. “Ela é um grande apoio. O legal é que a gente ri muito porque ela vê o lado engraçado da vida, graças a Deus. Se você imaginar, isso acrescenta um valor enorme à coisa toda”, continuou.

    Camilla também definiu seu próprio papel real, defendendo causas próximas como alfabetização infantil e o apoio a vítimas de violência doméstica.

    Em declaração à CNN durante uma visita a um abrigo para mulheres na cidade inglesa de Bristol, em 2017, revelou que conseguiu usar sua posição para destacar a situação das “mulheres corajosas” que sofreram nas mãos de seus parceiros. “Ver é acreditar, ouvir é acreditar”, expôs.

    Segundo Charles, “ela fez coisas maravilhosas com toda a questão da violência contra as mulheres, estupro e violência sexual. Eu acho que tem sido bastante notável o que ela realizou nessa frente. E, novamente, com todo o seu trabalho de alfabetização porque ela é louca por leitura. Seu pai era um grande leitor e acho que a encorajou dessa forma, então ela devora livros de todos os tipos”.

    “Estou muito orgulhoso dela e, apesar de tudo, ela tenta me apoiar, o que é maravilhoso da parte dela”, finalizou o rei.


    *Com informações da CNN