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    Candidatos pró-China vencem eleição de Hong Kong com baixa participação popular

    Críticos consideraram o pleito antidemocrático, com quase todas as vagas indo para candidatos alinhados com o governo chinês

    Apenas candidatos aprovados pelo governo chinês puderam participar do pleito
    Apenas candidatos aprovados pelo governo chinês puderam participar do pleito Lam Yik/Reuters

    Edmond NgSara Chengda Reuters

    Os candidatos pró-China de Hong Kong saíram vitoriosos de uma eleição parlamentar reformada no domingo (19) com participação apenas de “patriotas”. Críticos consideraram o pleito antidemocrático, e ele teve um comparecimento baixo recorde em meio a uma repressão chinesa às liberdades na cidade.

    O comparecimento de 30,2%, cerca de metade do número da votação anterior, de 2016, foi visto por ativistas pró-democracia como um repúdio à China, que impôs uma lei de segurança nacional abrangente e mudanças eleitorais amplas para submeter a cidade ainda mais ao seu jugo autoritário.

    Quase todas as vagas foram para candidatos pró-China e a favor do establishment, alguns dos quais comemoraram no palco do centro de contagem de votos e bradaram “vitória garantida”.

    A líder de Hong Kong, Carrie Lam, disse em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (20) que o comparecimento de fato foi baixo, mas que não sabia especificar as razões.

    “Mas 1,35 milhão indo votar não se pode dizer que não foi… uma eleição que não recebeu muito apoio dos cidadãos”, disse Lam.

    Quando indagada se o comparecimento baixo significa que seu partido carece de respaldo público, Starry Lee, chefe da Aliança Democrática para o Aprimoramento e o Progresso de Hong Kong (DAB) pró-China – que obteve metade dos assentos eleitos diretamente – disse que as regras exclusivas para patriotas melhorarão a governança.

    “É preciso algum tempo para as pessoas se adaptarem a este sistema”, disse ela aos repórteres no centro de contagem de votos.

    A eleição, na qual somente candidatos aprovados pelo governo como “patriotas” podiam concorrer, foi criticada por alguns governos estrangeiros, grupos de direitos humanos e partidos pró-democracia tradicionais de Hong Kong, que não participaram da votação, alegando que ela foi antidemocrática.

    A maioria dos cerca de uma dúzia de candidatos que se consideram moderados, incluindo o ex-parlamentar democrata Frederick Fung, não conseguiu uma vaga, perdendo para rivais pró-China.

    “Não é fácil induzir as pessoas (a votar). Acho que elas estão se sentindo indiferentes”, disse Fung à Reuters.

    O recorde de comparecimento baixo anterior em uma eleição parlamentar realizada depois de 1997, quando o Reino Unido devolveu a cidade ao comando chinês, foi de 43,6% em 2000. Cerca de 2% dos votos depositados no domingo foram inválidos, uma alta também recorde, de acordo com cálculos da mídia local.

    O Escritório de Ligação da China em Hong Kong, que representa o governo chinês no território, descreveu a eleição como uma “prática bem-sucedida de democracia com características de Hong Kong”.