Cardeais dos EUA fazem apelo raro a Trump e pedem política externa "moral"

Integrantes da Igreja Católica afirmaram que renunciam "à guerra como instrumento para interesses nacionais mesquinhos"

Christopher Lamb, da CNN
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Três cardeais dos Estados Unidos divulgaram uma rara declaração conjunta pedindo por uma “política externa genuinamente moral” para os EUA, citando eventos recentes na Venezuela, Ucrânia e Groenlândia.

“Renunciamos à guerra como instrumento para interesses nacionais mesquinhos e proclamamos que a ação militar deve ser vista apenas como último recurso em situações extremas”, afirmaram os cardeais.

A declaração foi assinada pelos cardeais Robert McElroy, de Washington, D.C., Blase Cupich, de Chicago, e Joseph Tobin, de Newark.

Os três citaram o recente discurso do papa Leão XIV sobre o “estado do mundo” no Vaticano, no qual o pontífice alertou sobre como o “zelo pela guerra está se espalhando” e como o princípio pós-Segunda Guerra Mundial que proibia nações de violarem as fronteiras de outras foi “completamente minado”.

O “papel moral” dos EUA no mundo, afirmam os cardeais, está agora sendo “examinado”, enquanto as tentativas de construir a paz estão sendo “reduzidas a categorias partidárias que incentivam a polarização e políticas destrutivas”.

A declaração conjunta incomum surge após o papa e bispos americanos criticarem a política de imigração do governo Trump.

McElroy, cuja tese de doutorado foi publicada como um livro intitulado "Moralidade e Política Externa Americana: O Papel da Ética nas Relações Internacionais" em 1992, classificou no ano passado as deportações de imigrantes como "moralmente repugnantes".

Enquanto isso, o arcebispo americano responsável pelos militares expressou preocupação com o fato de que eles "possam ser colocados em uma situação em que recebam ordens para fazer algo moralmente questionável" em relação a qualquer ação dos EUA contra a Groenlândia.

O arcebispo Timothy Broglio disse no domingo (18) à BBC que "não vê nenhuma circunstância" em que uma operação dos EUA na Groenlândia possa ser considerada uma guerra justa, descrevendo a Dinamarca como "uma aliada".