Caso Epstein: Escândalo atinge ex-assessora de Obama e ameaça britânicos

Novos documentos do caso Jeffrey Epstein mostram proximidade com Kathryn Ruemmler, ex-assessora jurídica de Obama, e Peter Mandelson, político britânico que manteve contato com ele após condenação

Da CNN Brasil
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A divulgação de uma nova leva de documentos do caso Jeffrey Epstein ampliou a crise política nos Estados Unidos e no Reino Unido, levando à queda de figuras importantes em ambos os países, conforme explicou a correspondente Priscila Yazbek, durante o Fora da Ordem, o videocast de geopolítica da CNN Brasil.

Nos Estados Unidos, mensagens reveladas mostram a proximidade entre Epstein e Kathryn Ruemmler, ex-assessora jurídica de Barack Obama. Os documentos indicam que eles trocaram cerca de 100 e-mails e tiveram aproximadamente 50 reuniões entre 2014 e 2019, período posterior às principais acusações contra Epstein. As mensagens revelam uma relação próxima, com Ruemmler enviando mensagens carinhosas, referindo-se a ele como "Uncle Jeffrey" e agradecendo por presentes recebidos.

Ruemmler também aconselhou Epstein sobre como se portar em entrevistas televisivas para minimizar as acusações contra ele. Apesar de negar irregularidades e afirmar não ter prestado serviços financeiros a Epstein, a ex-assessora acabou renunciando ao cargo de diretora jurídica do Goldman Sachs, na última quinta-feira (12), após o escândalo vir à tona.

Crise no governo britânico

Américo Martins, correspondente da CNN em Londres, explicou que no Reino Unido, o caso pressiona o governo de Keir Starmer após a queda de Peter Mandelson, conhecido como "o príncipe das trevas" por seu trabalho nos bastidores da política britânica. Mandelson, figura central na criação do conceito "New Labour" que modernizou o Partido Trabalhista na era Tony Blair, foi indicado pelo primeiro-ministro Starmer para ser embaixador do Reino Unido em Washington e posteriormente demitido, em setembro de 2025, com a revelação de ligações com Epstein.

Apesar de um histórico controverso que incluía duas quedas anteriores de cargos governamentais por escândalos, Mandelson foi escolhido para a importante posição diplomática mesmo sendo conhecida sua amizade com Jeffrey Epstein. Novos documentos revelaram que, além de manter a amizade com Epstein após sua condenação, Mandelson também teria divulgado segredos comerciais do governo britânico para possível benefício financeiro.

Diante das revelações, Mandelson pediu renúncia da Câmara dos Lordes e saiu do Partido Trabalhista em uma tentativa de conter a crise que ameaçava derrubar o próprio primeiro-ministro. A linha de defesa de Starmer, considerado um líder fraco, resumiu-se a alegar que foi enganado por Mandelson. Segundo o analista, o primeiro-ministro só não caiu porque o Partido Trabalhista não possui outro nome forte para substituí-lo.

Segundo o analista Lourival Sant'Anna, o caso Epstein continua revelando como o financista construiu uma extensa rede de contatos e influência entre figuras poderosas, combinando poder, dinheiro e sexo em um esquema que continua gerando consequências políticas anos após sua morte.

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