Caso Epstein: quem é o único deputado a votar contra revelação de arquivos

Deputado republicano Clay Higgins, da Louisiana, afirma que a legislação aprovada na Câmara foi redigida de forma a prejudicar pessoas inocentes

Alison Main, da CNN
O deputado Clay Higgins (republicano da Louisiana) interroga testemunhas durante a primeira audiência da Força-Tarefa sobre a Tentativa de Assassinato de Donald Trump no Edifício de Escritórios Longworth da Câmara dos Representantes, em 26 de setembro de 2024, em Washington, DC.
O deputado Clay Higgins (republicano da Louisiana) interroga testemunhas durante a primeira audiência da Força-Tarefa sobre a Tentativa de Assassinato de Donald Trump no Edifício de Escritórios Longworth da Câmara dos Representantes, em 26 de setembro de 2024, em Washington, DC.  • Anna Moneymaker/Getty Images
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Nesta terça-feira (18), a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou um projeto de lei para obrigar o Departamento de Justiça a divulgar todos os arquivos sobre o falecido criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.

A votação, que enviou o texto ao Senado, foi aprovada por 427 votos a 1.

O único parlamentar a votar contra o projeto de lei bipartidário foi o deputado republicano Clay Higgins, da Louisiana. Ele defendeu sua oposição nesta terça-feira, afirmando que a legislação foi redigida de forma a prejudicar pessoas inocentes.

“Abandona 250 anos de procedimentos de justiça criminal na América. Da forma como está redigido, este projeto de lei expõe e prejudica milhares de pessoas inocentes – testemunhas, pessoas que forneceram álibis, familiares, etc”, escreveu ele no X após votar contra o projeto.

Embora outros republicanos tivessem manifestado preocupações semelhantes sobre a medida – incluindo o presidente da Câmara, Mike Johnson – a decisão de Higgins de votar formalmente contra ela representou uma ruptura notável com o restante da Câmara.

O líder republicano no Senado, John Thune, disse logo após a votação que espera que sua Casa analise a medida "com bastante rapidez" – talvez até mesmo ainda nesta terça-feira – e Trump indicou que a sancionaria.

Mas Higgins, membro do Comitê de Supervisão da Câmara, destacou a investigação "minuciosa" sobre Epstein e indicou que só apoiaria o projeto de lei aprovado pela Câmara se ele retornasse com alterações do Senado.

“Se o Senado emendar o projeto de lei para abordar adequadamente a privacidade das vítimas e de outros americanos que são nomeados, mas não implicados criminalmente, então votarei a favor desse projeto quando ele retornar à Câmara”, disse Higgins.

Isso não parece provável. Embora Johnson tenha dito que conversou com Thune sobre emendar o projeto de lei após sua aprovação na Câmara para que ele proteja melhor as vítimas, Thune indicou que o Senado provavelmente não fará alterações.

"Acho que, quando um projeto de lei é aprovado na Câmara por 427 votos a 1, e o presidente diz que vai assiná-lo, não tenho certeza se emendá-lo está nos planos", disse Thune.

Higgins disse ao repórter Manu Raju, da CNN, na semana passada, que planejava votar contra o projeto de lei, mesmo com a reviravolta do presidente Donald Trump, que passou a incentivar a divulgação dos arquivos.

Ele disse a Raju que Trump não tinha um "bom relacionamento" com Epstein e negou que o presidente estivesse tentando impedir a aprovação do projeto de lei.

“Não se trata da Casa Branca e do presidente, mas sim de pessoas que defendem procedimentos de justiça criminal consagrados que este projeto de lei não respeita. Se você apoia 200 anos de precedentes na justiça criminal sobre como esse tipo de investigação deve ser conduzido, então você apoia o que estamos fazendo no Comitê de Supervisão, e não o que está sendo defendido nesta petição”, disse ele.

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