Caso George Floyd deve ser ponto de partida para mudanças, diz doutor em Direito

O doutor em Direito pela Universidade Harvard Adilson Moreira disse à CNN que a condenação de Derek Chauvin precisa gerar mudanças institucionais

Elis Franco, da CNN, em São Paulo

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O doutor em Direito pela Universidade Harvard e especialista em direito antidiscriminatório Adilson Moreira afirmou, em entrevista à CNN nesta terça-feira (20), que a condenação do ex-policial Derek Chauvin pela morte de George Floyd precisa ser entendida como um começo para mudar ações de algumas instituições, como a polícia. 

“Devemos interpretar essa decisão como um ponto de partida para ações efetivas, como a mudança na opinião das polícias, na forma como policiais abordam e tratam membros de minorias raciais, na maneira como estereótipos raciais negativos são utilizados para legitimar a violência e também para uma mudança na forma como policiais brancos são julgados”, disse Moreira. 

Uma dessas mudanças de perspectiva que precisam ocorrer, segundo o doutor, é a atribuição de um crime como esse a uma pessoa específica, em vez de uma instituição como um todo.

Moreira também falou sobre as posições do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e sua vice, Kamala Harris, sobre o caso, e afirmou que ambos demonstram estar comprometidos com a igualdade racial.

“São posições de duas pessoas que estão comprometidas com o ideal da solidariedade e da igualdade que rege qualquer regime democrático.”

Julgamento terminou nesta terça-feira

O ex-policial Derek Chauvin foi condenado pela morte de George Floyd, em decisão unânime do júri, cujo veredicto foi lido nesta terça-feira (20) na cidade de Minneapolis, no estado americano do Minnesota. Chauvin, que alegou inocência das três acusações que enfrentava, foi considerado culpado em todas elas:

  • homicídio culposo (quando não há intenção de matar) – pena máxima de 10 anos de prisão;
  • assassinato em segundo grau – pena máxima de 40 anos de prisão;
  • assassinato em terceiro grau – pena máxima de 25 anos de prisão.

George Floyd, de 46 anos, morreu em 25 de maio de 2020 em uma abordagem policial da qual participou Derek Chauvin.

Os 12 jurados deliberaram por mais de 10 horas na segunda-feira (19) e nesta terça-feira até chegar ao resultado, depois de três semanas de exposição do caso no tribunal. 

O doutor em Direito Adilson Moreira conversou com a CNN sobre George Floyd
O doutor em Direito Adilson Moreira conversou com a CNN sobre o caso George Floyd (20.abr.2021)
Foto: Reprodução / CNN

O caso

George Floyd foi morto na cidade americana de Minneapolis (no estado de Minnesota) no dia 25 de maio de 2020, após uma abordagem policial registrada por quem passava pelo local. Ele foi acusado de tentar utilizar uma nota falsa para pagar uma conta.

Ao ser detido, Floyd foi morto pelo policial branco Derek Chauvin ao ter seu pescoço pressionado pelo oficial durante 9 minutos e 29 segundos. No vídeo, ele afirma por diversas vezes que não conseguia respirar e a frase “I can’t breathe”, dita por Floyd, tornou-se um símbolo do movimento contra o racismo.

O policial Derek Chauvin foi dispensado pela polícia do estado de Minnesota após o ocorrido. O chefe da polícia de Mineápolis, Medaria Arradondo, afirmou que “a maneira como Chauvin rendeu Floyd não está de acordo com o treinamento e certamente não é parte da nossa ética e nossos valores”.

A morte de Floyd foi o estopim de uma onda de protestos nos Estados Unidos e em diversos outros países — Brasil, França, Alemanha, Inglaterra e Candá estão entre eles — do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam, em português), contra o racismo e violência policial contra negros.

Em 12 de março de 2021, a cidade de Minneapolis concordou em pagar US$ 27 milhões (cerca de R$ 150 milhões) à família de Floyd para que fosse encerrado um processo contra a cidade. Segundo advogado da família Floyd, Jacob Frey, foi o maior acordo pré-julgamento de um processo por homicídio culposo na história do país. 

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