Cessar-fogo entre Israel e Líbano é frágil, diz pesquisador de Harvard
Hussein Kalout, pesquisador de Harvard, analisou em entrevista ao Hora H que o acordo temporário só funcionará se Israel se comprometer a retirar suas tropas do território libanês
O pesquisador da Universidade de Harvard e ex-secretário nacional de Assuntos Estratégicos Hussein Kalout afirmou, em entrevista ao Hora H, que cessar-fogo de dez dias anunciado entre Israel e Líbano, nesta quinta-feira (16), é extremamente frágil e depende principalmente do comprometimento israelense para que possa funcionar.
Kalout destacou que o acordo temporário só terá continuidade se Israel retirar suas tropas das áreas ocupadas no sul do Líbano. "Para que esse cessar-fogo possa funcionar, é preciso que Israel se comprometa, sobretudo, com as exigências dos libaneses", afirmou o especialista, lembrando que um acordo anterior, estabelecido em novembro de 2024, não foi cumprido pelos israelenses.
Segundo o pesquisador, enquanto o Líbano respeitou o acordo anterior por 15 meses sem atacar Israel, os israelenses continuaram atacando o sul do país libanês durante todo esse período até o início do atual conflito. "O cessar-fogo não vai funcionar com a permanência das tropas israelenses, porque após 10 dias, essa permanência no território libanês vai desencadear o conflito novamente", explicou.
Derrota estratégica para Netanyahu
Kalout avalia que o acordo representa uma derrota política para o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O pesquisador lembrou que, quando o conflito começou, o líder israelense prometeu tomar o sul do Líbano, com expectativas de avançar até 20 quilômetros dentro do território libanês. No entanto, as tropas israelenses conseguiram avançar apenas cerca de cinco quilômetros e não consolidaram posições estratégicas.
"Da perspectiva estratégica, apesar da destruição que eles conseguiram infligir a Beirute e ao sul do país, a destruição em si não conseguiu se traduzir em ganhos estratégicos", analisou o especialista. Para ele, o cessar-fogo funciona como "mão amiga" de Donald Trump a Netanyahu após ao "fracasso" militar, em um momento em que o líder israelense começa a perder popularidade e enfrentar críticas da população do norte de Israel, exposta aos ataques do Hezbollah.
Sobre a relação entre Trump e Netanyahu, Kalout apontou que o líder israelense arrastou o presidente americano para o conflito com o Irã e com o Líbano, com promessas de queda do regime iraniano e de tomada do sul libanês que não se concretizaram. Agora, com Trump enfrentando custos políticos elevados internamente e riscos de perder as eleições de meio de mandato, o presidente americano está forçando Netanyahu a aderir às propostas de paralisação da guerra.
"O Trump não tem condição de continuar essa guerra por demanda do Netanyahu", concluiu o pesquisador, indicando que a relação entre os dois líderes está estremecida.


