China critica nova tarifa americana e acusa "sanção unilateral"

Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou taxa de 25% contra produtos de países que negociam com o Irã

Danilo Cruz e Mariana Janjácomo, da CNN Brasil, em São Paulo e em Washington, D.C.
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O governo da China prometeu "defender seus interesses" após os Estados Unidos anunciarem uma tarifa de 25% contra produtos de países que fazem negócios com o Irã.

Em uma publicação no X, o porta-voz da embaixada chinesa nos EUA, Liu Pengyu, disse que o país "se opõe a qualquer sanção ilícita e unilateral".

Durante coletiva de imprensa, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, também criticou o novo tarifaço de Donald Trump.

"Nossa posição sobre tarifas é muito clara: não há vencedores em uma guerra tarifária. A China vai defender firmemente seus legítimos direitos e interesses", afirmou Ning.

Com o novo imposto, as tarifas para produtos chineses que entram nos EUA atingiriam os 70% - valor mais alto desde maio de 2025, segundo o Instituto Peterson para a Economia Internacional.

A China é a principal importadora de mercadorias vindas de Teerã, segundo dados do COMTRADE da ONU (Organização das Nações Unidas). Pequim comprou US$ 22,4 bilhões em itens do Irã em 2022 - entre os principais artigos estão combustíveis fósseis e plásticos.

"Sempre nos opusemos à interferência nos assuntos internos de outros países e ao uso ou à ameaça do uso da força nas relações internacionais, e esperamos que todas as partes façam mais para promover paz e estabilidade no Oriente Médio", disse a porta-voz.

A Casa Branca não forneceu detalhes de como vai realizar a cobrança da nova taxa. Trump, no entanto, declarou que a medida era "final e irreversível". Ela faz parte de uma campanha de pressão do presidente americano contra o regime dos Aiatolás iranianos.

O governo do Irã reprime com violência uma série de protestos que tomaram diversas cidades do país. Grupos de direitos humanos afirmam que o número de mortos nos protestos já passa de 2 mil - com a grande maioria sendo manifestantes.

O regime cortou a internet no território iraniano, com o objetivo de dificultar a organização dos protestos - algo que funcionou parcialmente.

O republicano havia ameaçado intervir caso algum manifestante fosse morto - mas não tomou nenhuma atitude até o momento. Nesta terça (13), Trump incentivou que os manifestantes seguissem nas ruas e disse que ajuda está a caminho, sem explicar qual seria esse auxílio.

"Nossa preparação está melhorando constantemente e em tempo real e nossas forças armadas, como no passado, estão prontas para repelir qualquer agressão", afirmou Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã.

A Europa também estuda novas medidas econômicas contra o Irã após os casos de repressão.

"A UE já tem sanções abrangentes em vigor contra o Irã, contra os responsáveis pelos abusos de direitos humanos, pela proliferação nuclear e pelo apoio de Teerã à guerra da Rússia, e estamos discutindo a imposição de sanções adicionais", apontou Kaja Kallas, chefe da Política Externa da União Europeia.