China diz que ainda negocia condições para entrada de investigadores da OMS
Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores diz que houve 'mal-entendido' sobre datas da viagem, mas que país está em 'comunicação estreita' com organização

A China minimizou nesta quarta-feira (6) a preocupação da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o atraso na autorização para a visita de uma equipe de especialistas que investiga as origens do novo coronavírus.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Hua Chunying, disse em uma entrevista coletiva em Pequim que o problema "não era apenas sobre vistos" para a equipe.
Questionada sobre relatos de que as datas foram acordadas previamente, ela disse que houve um "mal-entendido" e que os dois lados ainda estavam em discussões sobre o momento [da visita] e outras providências.
“Posso inferir dos relatos da mídia que houve alguns mal-entendidos (entre a China e a OMS). Mas, como eu disse antes, entendemos perfeitamente a perspectiva da Organização Mundial da Saúde, bem como os sentimentos do Sr. Tedros", disse a porta-voz.
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"No entanto, para garantir que o trabalho possa ser realizado sem problemas na China, ambos os lados permanecem em estreita comunicação sobre certos detalhes, como o momento de sua chegada à China, bem como outras providências (...) Não há necessidade de exagerar as interpretações [sobre o caso]", completou Hua.
Especialistas da China também lidam com um novo surto de infecções pelo coronavírus no país, com muitos locais entrando em "estado de guerra" contra a Covid-19, disse ela.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse na véspera que estava "muito decepcionado" com o fato de a China não ter autorizado a entrada da equipe para a investigação, que ele disse ser uma prioridade da organização.
Entenda o caso
O novo coronavírus foi detectado pela primeira vez na cidade chinesa de Wuhan no final de 2019 e, desde então, se espalhou pelo mundo.
Muito permanece desconhecido sobre suas origens e a China tem reagido a qualquer sugestão de que poderia ter feito mais nos estágios iniciais da pandemia para impedir seu avanço.
A equipe de dez especialistas internacionais deveria chegar ao país no início de janeiro como parte de uma missão há muito esperada para investigar os primeiros casos da doença.
A missão deve ser liderada por Peter Ben Embarek, o maior especialista da OMS em doenças animais que cruzam a barreira das espécies, que foi à China em uma missão preliminar em julho passado.
A China vem tentando moldar a narrativa sobre quando e onde a pandemia começou, com o diplomata Wang Yi dizendo que "mais e mais estudos" mostraram que ela surgiu em várias regiões. O chefe de emergências da OMS, Mike Ryan, já chamou essa possibilidade de "altamente especulativa".
A China também rejeitou as críticas ao tratamento dos primeiros casos, embora algumas autoridades, incluindo o presidente dos EUA, Donald Trump, tenham questionado suas ações durante o surto inicial da doença.
Os Estados Unidos, que anunciaram planos de deixar a OMS, pediram uma investigação "transparente" e criticaram os termos sob os quais os especialistas chineses conduziram uma primeira fase da pesquisa.