Chuvas torrenciais e frio intenso causam mortes na Faixa de Gaza
Abrigos precários sofrem com risco de serem destruídos devido às condições climáticas

Chuvas torrenciais e frio intenso continuaram castigando a Faixa de Gaza neste fim de semana, aumentando o número de palestinos mortos pelas duras condições climáticas.
No domingo (28), duas pessoas morreram, incluindo uma criança de sete anos, quando um muro desabou, segundo a Defesa Civil de Gaza.
Enquanto os palestinos buscam abrigo da chuva forte em ruínas bombardeadas, agências humanitárias alertam para os riscos representados pelas construções dilapidadas, propensas a desabar durante o inverno.
Em outro comunicado, o GMO (Escritório de Mídia do Governo em Gaza), controlado pelo Hamas, disse que 20 pessoas morreram em desabamentos de casas e prédios enquanto buscavam abrigo das severas condições climáticas.
Pelo menos 49 prédios desabaram devido ao clima desde o início do inverno, acrescentou o GMO.
Abrigos destruídos no inverno de Gaza
Os fortes ventos ameaçam destruir completamente os abrigos palestinos, que em grande parte são tendas frágeis e alagadas.
Um homem deslocado em um campo de refugiados em Deir al-Balah, no centro de Gaza, descreveu como seu abrigo foi destruído quando uma árvore próxima caiu sobre sua tenda.
“Esta é a segunda árvore que caiu sobre nós por causa do vento. Onde está o mundo para nós? Onde estão os direitos humanos?”, questionou Eyad Abu Jdeyan à CNN no domingo.
“Estamos aqui sentados, à beira da morte. Deus nos protegeu; caso contrário, todos aqui teriam sido martirizados”, acrescentou.
Em Khan Younis, moradores acordaram com poças d'água em suas tendas após uma noite de fortes chuvas, segundo um porta-voz da Defesa Civil da província de Rafah.
“Nem mesmo o gado e os animais conseguiam sobreviver nesses locais. Mas as pessoas foram obrigadas a viver nessas áreas porque não têm outra opção a não ser voltar para suas casas destruídas”, pontuou Ahmed Radwan, da Defesa Civil de Gaza, à CNN.
O porta-voz classificou a recente onda de frio como uma nova “situação catastrófica” que agrava um quadro humanitário já desesperador no enclave.
O chefe da UNRWA (Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina) enfatizou que os suprimentos de ajuda humanitária não estão sendo autorizados a entrar no território na escala necessária e afirmou que a agência poderia "multiplicar seus esforços amanhã" se a ajuda chegasse.
"Mais chuva. Mais sofrimento humano, desespero e morte. O rigoroso inverno está agravando mais de dois anos de sofrimento. As pessoas em Gaza estão sobrevivendo em tendas frágeis e alagadas e em meio a ruínas", disse o Comissário-Geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, em um comunicado divulgado na X.
A mais recente crise humanitária a atingir Gaza ocorre enquanto o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se prepara para visitar o presidente Donald Trump em Mar-a-Lago nesta segunda-feira (29), em meio a uma pressão diplomática de Washington para alcançar a próxima fase do plano de paz para Gaza.



