Perspectivas 2026: Planos de paz para guerras enfrentam obstáculos

Analistas da CNN Brasil debatem as perspectivas para os conflitos em Gaza e na Ucrânia, apontando que mesmo com avanços recentes, soluções duradouras permanecem distantes

Da CNN Brasil
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Os conflitos em Gaza e na Ucrânia dificilmente terão desfechos positivos até 2026, apesar de alguns avanços recentes. Esta foi a avaliação dos especialistas durante o programa especial "Perspectivas 2026" da CNN Brasil, que analisou os cenários políticos nacionais e internacionais para o próximo ano.

 

No caso de Gaza, o analista sênior de internacional Américo Martins destacou que, embora o plano de paz patrocinado recentemente tenha representado um avanço importante com a redução significativa do número de mortes, a situação continua sendo "catastrófica". "A reconstrução de Gaza não começou. O desarmamento do Hamas, que é uma condição essencial para que tudo comece a funcionar dentro desse plano de paz, não aconteceu e não parece que vai acontecer de uma forma tão fácil", avaliou.

Segundo o analista, outros elementos fundamentais do plano de paz para Gaza seguem pendentes, como a criação de uma administração temporária internacional e o envio de tropas internacionais para monitorar a situação e permitir a retirada dos soldados israelenses que continuam ocupando metade da faixa de Gaza. Apesar da situação atual ser melhor do que em momentos anteriores, com menos bombardeios e mortes diárias, o cenário humanitário permanece crítico.

Conflito na Ucrânia sem solução à vista

Quanto à guerra na Ucrânia, o panorama também não é promissor. Américo Martins mencionou que existe uma pressão dos Estados Unidos para eventualmente chegar a um plano de paz, mas que esse caminho é "tortuoso" e implica em concessões praticamente inaceitáveis para os ucranianos. A expectativa mais realista seria um cessar-fogo com uma tensão contínua e alto risco de retomada do conflito.

A analista de internacional da CNN Brasil Fernanda Magnotta aprofundou a análise sobre os obstáculos estruturais que dificultam a resolução desses conflitos. "A estrutura nos dois casos segue marcada por falta de confiança, por dificuldade em encontrar termos de troca que sejam considerados razoáveis para os dois lados", explicou.

A especialista também apontou que a reconstrução necessária após esses conflitos vai muito além da infraestrutura física. "A gente passa pela dimensão humana. Tem a ver com como você lida com trauma, como você reconstrói socialmente esse imaginário que vai ficando muito marcado por ressentimento, por ira", observou.

No caso específico da Ucrânia, os especialistas ressaltaram a incompatibilidade fundamental entre as posições dos lados em conflito: "Um lado quer ficar com território, que o outro lado não abre mão. Um lado quer direito de garantia de segurança, que o outro lado entende vital e impossível de ceder", explicou Magnotta, indicando que as concessões necessárias para uma paz duradoura não parecem estar no horizonte para 2026.

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