Ciência alerta há 30 anos sobre os riscos do aquecimento global, diz professor

Paulo Artaxo, da USP, afirma que o governo brasileiro tem agenda negativa no meio ambiente

Produzido por Álvaro Gadelha e Renata Souzada CNN

Em São Paulo

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A possível ausência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na COP26, cúpula de líderes mundiais para discutir soluções relacionadas às mudanças climáticas, é reflexo do retrocesso da política ambiental brasileira, na avaliação do professor do Instituto de Física da USP, Paulo Artaxo.

Em entrevista à CNN, ele criticou a falta de exploração racional dos recursos naturais do país e disse que cientistas alertam desde a Rio 92, há 30 anos, sobre os riscos do aquecimento global para a vida humana.

“A razão para ele [Bolsonaro] não ir à COP26 é que iria passar vergonha”, disse Artaxo. “Ir para uma reunião de líderes sem nada para apresentar e com uma agenda extremamente negativa pegaria muito mal para o Brasil.”

A conferência das Nações Unidas (ONU) se inicia no domingo, 31 de outubro, em Glasgow, na Escócia. Bolsonaro afirmou que não deve participar do evento. O representante do Brasil deve ser o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite.

Artaxo afirmou que o mundo precisa de medidas “urgentes e rápidas” para reduzir a queima de combustíveis fósseis, principalmente pelos países desenvolvidos, e estancar o desmatamento das florestas tropicais.

“Em particular, o Brasil precisa zerar o desmatamento da Amazônia. Isso é estratégico para o planeta. A ciência deixa isso claro desde a Rio 92. Faz 30 anos que a ciência dá uma mensagem muito clara: precisamos parar de emitir gases de efeito estufa para a atmosfera.”

(sob supervisão de Juliana Alves)

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