Cientista foi morto com metralhadora controlada por satélite, diz Irã

O assassinato do principal cientista nuclear do Irã foi realizado remotamente com orientação por satélite e ferramentas de reconhecimento facial, segundo mídia

Por Ramin Mostaghim, Mohammed Tawfeeq e Nick Paton Walsh,

da CNN

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O recente assassinato do principal cientista nuclear do Irã foi realizado remotamente em uma operação que envolveu orientação por satélite, inteligência artificial e reconhecimento facial, de acordo com militares iranianos citados pela mídia do país neste domingo (6).

Mohsen Fakhrizadeh, acusado de ser o mentor do polêmico programa nuclear do Irã – o que o país nega -, foi morto em 27 de novembro, em Teerã. Há relatos conflitantes sobre como o ataque se desenrolou, mas a maioria das versões vinculadas no Irã concorda que foi um ataque sofisticado com tiros e uma explosão.

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Imagem do cientista nuclear iraniano Mohsen Fakhrizadeh-Mahavadi
Imagem do cientista nuclear iraniano Mohsen Fakhrizadeh-Mahavadi divulgada pela agência Fars
Foto: Reuters

O assassinato foi possível pela ação de uma “ferramenta eletrônica avançada” guiada por um “dispositivo de satélite”, de acordo com o segundo brigadeiro-general Ramazan Sharif, porta-voz do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), conforme relatado pela agência semi-oficial Iranian Students News Agency (ISNA). 

De acordo com outra agência de notícias apoiada pelo Estado iraniano, o Clube de Jovens Jornalistas (YJC), o subcomandante-chefe do IRGC, Sardar Ali Fadavi, disse que o assassinato foi realizado com inteligência artificial e reconhecimento facial.

Fadavi afirmou, de acordo com YJC, que não havia atiradores no local e que uma metralhadora controlada por satélite reconheceu o rosto de Fakhrizadeh e o mirou. “Verificamos e descobrimos que um satélite estava controlando uma metralhadora remotamente e não havia terrorista no local”, disse Fadavi, de acordo com YJC.

No entanto, especialistas em inteligência e segurança lançaram dúvidas sobre a possibilidade de que o assassinato tenha operado remotamente, com três especialistas dizendo à CNN que uma ação desse tipo introduz mais fatores de risco em uma operação com pouco espaço aparente para erro.

Embora exista a tecnologia para disparar contra um alvo a partir de um veículo controlado remotamente, um país ou ator teria que contrabandear equipamentos valiosos, incluindo relés de comunicação, receptores de satélite e uma arma que pudesse ser operada remotamente, disseram os especialistas.

Qualquer problema, como uma arma emperrada ou falha de comunicação, também pode comprometer todo o assassinato e permitir que a forças de segurança iranianas interceptassem a tecnologia.

Apesar de não fornecerem evidências, as principais autoridades iranianas culparam Israel pelo assassinato, e o líder supremo do país, o aiatolá Seyyed Ali Khamenei, prometeu vingança pelo assassinato.

]O governo israelense não fez comentários sobre as alegações. O ministro israelense de Assuntos de Assentamentos, Tzachi Hanegbi, disse no sábado, 28 de novembro, que “não tinha ideia” de quem assassinou Mohsen Fakhrizadeh, mas chamou isso de “muito embaraçoso para o Irã”.

Na semana passada, um alto funcionário do governo dos EUA disse que Israel estava por trás do assassinato, mas se recusou a dar detalhes sobre se o governo Trump sabia sobre o ataque antes de ser realizado ou forneceu apoio.

O funcionário disse que, no passado, os israelenses compartilharam informações com os Estados Unidos sobre seus alvos e operações secretas antes de executá-los, mas não comentou se o fizeram neste caso.

Fakhrizadeh foi um alvo dos israelenses por muito tempo, acrescentou o funcionário.

O Irã tem afirmado repetidamente que seu programa nuclear tem sido usado exclusivamente para fins pacíficos, mas Israel e outros estados acusam Teerã de tentar desenvolver uma bomba nuclear, em um programa que dizem ter sido planejado por Fakhrizadeh.

Na semana passada, o porta-voz do governo iraniano Ali Rabiee disse que o Ministério da Inteligência iraniano havia fornecido ao governo um “alerta de operação terrorista” alguns meses e dias antes do assassinato de Fakhrizadeh.

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