Cientistas descobrem a mais antiga vítima de um ataque de tubarão, de 3 mil anos

Especialistas de Oxford fizeram a descoberta enquanto estudavam os restos mortais de um homem adulto escavado perto do Mar Interior de Seto, no Japão

O homem adulto foi escavado no local de Tsukumo, perto do Mar Interior de Seto, no Japão
O homem adulto foi escavado no local de Tsukumo, perto do Mar Interior de Seto, no Japão Foto: Laboratório de Antropologia Física, Universidade de Kyoto

Amy Woodyatt, CNN

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Pesquisadores descobriram o que dizem ser a evidência direta mais antiga de um ataque de tubarão a um ser humano, com a criatura marinha causando cerca de 790 ferimentos em um homem, 3 mil anos atrás.

Especialistas da Universidade de Oxford fizeram a descoberta enquanto estudavam os restos mortais de um homem adulto escavado no local de Tsukumo, perto do Mar Interior de Seto, no Japão, que estavam cobertos por ferimentos traumáticos em seus braços, pernas, frente do tórax e abdômen.

“Ficamos inicialmente confusos com o que poderia ter causado pelo menos 790 ferimentos profundos e dentados a este homem”, disseram os pesquisadores J. Alyssa White e Rick Schulting em um comunicado conjunto. “Houve tantos ferimentos e mesmo assim ele foi enterrado no cemitério da comunidade, o cemitério de Tsukumo Shell-mound”.

Algumas das lesões eram muito afiadas, profundas e em forma de V, e eram semelhantes a feridas causadas por instrumentos de metal que não eram usados pelos caçadores-coletores da cultura Jomon deste período, e carnívoros terrestres e marcas de dentes de animais necrófagos também não eram consistente com as lesões.

“Por meio de um processo de eliminação, excluímos conflitos humanos e os predadores animais ou necrófagos mais comumente relatados”, acrescentaram.

A espécie de tubarão mais provavelmente responsável pelo ataque foi o tigre ou o tubarão branco, disseram os pesquisadores. As descobertas foram publicadas quarta-feira (23) no Journal of Archaeological Science: Reports.

A equipe trabalhou com George Burgess, diretor emérito do Programa da Flórida para Pesquisa de Tubarões, para estudar casos de ataque forense de tubarões e montar uma reconstrução do caso raro.

“Existem poucos exemplos conhecidos de ataques de tubarão nos registros arqueológicos“, disse Schulting à CNN internacional, acrescentando que o primeiro exemplo concreto que a equipe conseguiu encontrar veio de um local pré-colombiano tardio em Porto Rico, datado de pouco antes de 1000 dC.

“A principal razão pela qual tão poucos casos são conhecidos é simplesmente porque eles eram muito raros”, disse Schulting. “Mesmo hoje, com muito mais pessoas no mundo, apenas alguns ataques letais de tubarão ocorrem a cada ano”.

Após a análise de radiocarbono (carbono 14), a equipe concluiu que o homem morreu entre 1370 aC e 1010 aC – mais de 3 mil anos atrás.

A equipe mapeou as lesões em um modelo 3D de um esqueleto para visualizar e analisar as lesões.

Os especialistas acham que a vítima pré-histórica estava viva no momento do ataque devido à distribuição dos ferimentos, faltando a mão esquerda, indicando um ferimento de defesa.

“Suspeitamos que o homem provavelmente estava pescando com alguns companheiros no Mar de Seto Interior, no sul do Japão. Eles poderiam estar pescando em um barco ou mergulhando em busca de frutos do mar”, disse Schulting à CNN. “Talvez eles estivessem até caçando tubarões, já que dentes de tubarão às vezes são encontrados em sítios arqueológicos de Jomon.

“Um ou mais tubarões – suspeitamos de um, mas não podemos ter certeza sobre isso – atacaram o homem enquanto ele já estava na água, ou talvez ele tenha perdido o equilíbrio e caído, ou foi puxado ao mar se o tubarão estava em cima de uma linha de pesca – não seria um tubarão pequeno”, acrescentou.

Schulting disse que havia “tantas marcas de dentes por todo o esqueleto” que o ataque deve ter durado “por algum tempo”.

O corpo do homem foi resgatado logo após o ataque, e ele foi enterrado em uma cerimônia. Ele também não tinha a perna direita, e sua perna esquerda foi colocada em cima do corpo, acrescentaram os pesquisadores.

O co-autor Mark Hudson, pesquisador do Instituto Max Planck, acrescentou em um comunicado que o caso é um raro exemplo de arqueólogos sendo capazes de reconstruir um episódio dramático na vida de uma comunidade pré-histórica.

Este é um texto traduzido, para ler o original, em inglês, clique aqui.

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