Cinco pontos para se atentar no discurso de Zelensky ao Congresso dos EUA

Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, fará um discurso a membros do Congresso dos Estados Unidos nesta quarta-feira (16) e deve "pressionar" Joe Biden e a Otan

Volodymyr Zelensky, presidente ucraniano, em seu escritório
Volodymyr Zelensky, presidente ucraniano, em seu escritório Reprodução/Facebook

Maegan Vazquezda CNN

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, fará um discurso a membros do Congresso dos Estados Unidos nesta quarta-feira (16), marcando um raro momento para o líder do Leste Europeu de se dirigir aos legisladores norte-americanos enquanto seu país continua a lutar contra a invasão russa.

O discurso será virtual, assim como os outros direcionados a outros aliados da Otan – nos quais o líder ucraniano pediu ao Ocidente que intensifique fortemente seus esforços para combater o bombardeio da Rússia ao território ucraniano.

As declarações de Zelensky ocorrerão um dia após presidente Joe Biden sancionar um projeto de lei de gastos maciços, que inclui mais de US$ 13 bilhões em ajuda à Ucrânia.

Zelensky, que permanece na Ucrânia, se dirigirá a membros do Congresso às 10h (horário de Brasília) na quarta-feira. Aqui está o que observar:

Pedido de mais assistência, pressionando Biden e a Otan

No discurso, espera-se que Zelensky renove seus pedidos por mais armas, bem como uma zona de exclusão aérea sobre a Ucrânia.

O líder ucraniano pressionou as autoridades americanas para ajudar a intermediar a transferência de armamento de fabricação soviética para seu país, incluindo caças MiG e sistemas de mísseis terra-ar S-300.

O governo Biden até agora não ajudou a fornecer esses sistemas de armas. Autoridades dos EUA, incluindo Biden, continuam temendo que a Rússia possa perceber essa transferência de armas como uma escalada nas hostilidades.

Antes do discurso desta quarta-feira, os principais republicanos da Câmara e do Senado enviaram uma carta pedindo ao governo Biden que forneça à Ucrânia sistemas de defesa aérea de fabricação soviética e russa para ajudar na defesa contra a invasão.

Zelensky tem pressionado Biden e a Otan a fazer mais, expressando frustrações com as preocupações dos aliados ocidentais em provocar o presidente russo, Vladimir Putin.

Na terça-feira, Zelensky chamou o Artigo 5 – o princípio que consagra que um ataque a um país da Otan é considerado um ataque a todos os países da Otan – como “fraco”.

“Alguns estados da aliança se intimidaram, dizendo que não podem responder. Que não podem colidir com mísseis e aviões russos no céu ucraniano. Porque isso, dizem eles, levará à escalada, levará ao terceiro guerra mundial… E o que eles vão dizer se a Rússia for mais longe na Europa, atacando outros países? Tenho certeza que a mesma coisa que eles dizem para a Ucrânia”, disse ele.

“O artigo 5º do tratado da Otan nunca foi tão fraco como agora. Esta é apenas a nossa opinião.”

Presidente dos EUA, Joe Biden, durante pronunciamento sobre invasão russa à Ucrânia na Casa Branca / 24/02/2022 REUTERS/Leah Millis

Apelos específicos para um público americano

Zelensky pode usar sua plataforma com Washington para fazer um apelo específico aos legisladores e aos americanos que assistem em casa.

Em um discurso no início deste mês na Câmara do Reino Unido, Zelensky foi aplaudido de pé quando se referiu ao discurso mais famoso do primeiro-ministro Winston Churchill durante a guerra.

“Não vamos desistir e não vamos perder. Lutaremos até o fim no mar, no ar. Continuaremos lutando por nossa terra, custe o que custar”, disse Zelensky.

E em um discurso no Parlamento do Canadá na terça-feira, ele pediu aos legisladores que imaginassem como reagiriam a uma invasão de suas próprias cidades.

“Você pode imaginar que às 4 da manhã, você começa a ouvir explosões de bombas, explosões severas? Você pode imaginar ouvir seus filhos, ouvir todas essas explosões? Bombardeio do aeroporto? Bombardeio do aeroporto de Ottawa? Dezenas de outras cidades do seu maravilhoso país — Você consegue imaginar isso?” disse Zelensky.

Ele continuou a analogia: “Você consegue imaginar a famosa Torre CN em Toronto, se ela foi atingida por bombas russas? Claro que não desejo isso para ninguém, mas essa é a nossa realidade em que vivemos”.

Possível apelo ao Congresso para votar sanções

Zelensky pode pedir aos legisladores que avancem em sanções mais duras contra a Rússia. Durante sua ligação mais recente com Biden, Zelensky pressionou os EUA a implementar mais sanções contra a Rússia, em um esforço para cortar o país do comércio internacional e atingir a elite russa.

A Câmara aprovou uma legislação amplamente simbólica que proíbe as importações de petróleo russo e limita o acesso da Rússia à Organização Mundial do Comércio, que seguiu a ordem executiva de Biden proibindo as importações de energia russa. A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, disse esta semana que a Câmara pretende adotar uma legislação para revogar o status comercial da Rússia como “nação mais favorecida” – uma medida apoiada por Biden que requer um ato do Congresso.

Os principais republicanos nas últimas semanas mediram propositalmente suas críticas a Biden, sinalizando que querem colocar uma frente unida e enviar um sinal claro de que o presidente teria apoio bipartidário se avançasse com medidas mais punitivas.

Potencial pedido para os EUA aceitarem refugiados ucranianos

Mais de 3 milhões de pessoas fugiram da Ucrânia desde o início da invasão russa em 24 de fevereiro, informou a Organização Internacional para as Migrações nesta terça-feira (15).

Nações em toda a Europa continuaram a ver um aumento de refugiados ucranianos entrando em seus países, com mais de 1,8 milhão de ucranianos atravessando o território da Polônia na terça-feira, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados.

Refugiados que fugiram da Ucrânia estão sendo abrigados em um ginásio esportivo em Zgorzelec, na Polônia / Danilo Dittrich/picture alliance via Getty Images

O secretário de Estado dos EUA, Tony Blinken, anunciou nesta terça-feira 186 milhões de dólares em assistência humanitária adicional para apoiar refugiados ucranianos e pessoas deslocadas internamente devido à guerra na Ucrânia. A vice-presidente Kamala Harris disse que os EUA estão dispostos a receber mais imigrantes.

E o governo Biden está considerando acelerar o reassentamento de refugiados ucranianos com laços com os EUA, incluindo familiares que já moram aqui, de acordo com uma autoridade dos EUA.

Mas as políticas de fronteira que deixaram milhares de migrantes e refugiados de outras nações no limbo também impediram a entrada de uma família ucraniana que fugia da guerra. Uma mulher ucraniana e seus três filhos cruzaram para os EUA na quinta-feira, após terem sido rejeitados na fronteira EUA-México um dia antes, de acordo com o advogado da família.

Demonstração de apoio de Biden

Horas após o discurso de Zelensky no Congresso, Biden está programado para fazer um discurso demonstrando o apoio que os EUA estão fornecendo à Ucrânia.

Espera-se que Biden anuncie mais US$ 800 milhões em assistência de segurança, de acordo com um funcionário do governo – elevando o total anunciado apenas na última semana para US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões desde o início do governo Biden.

Ele apresentará o novo pacote de assistência militar, incluindo mísseis antitanque, segundo autoridades familiarizadas com os planos.

A nova assistência não chegará à zona de exclusão aérea ou aos caças que Zelensky disse serem necessários para sustentar a luta da Ucrânia contra a Rússia. Mas a nova ajuda incluirá mais armas defensivas que os EUA já estão fornecendo, incluindo Javelins e Stingers.

O Wall Street Journal noticiou pela primeira vez o anúncio de assistência antecipada.

Na próxima semana, Biden viajará para a Europa para se encontrar com líderes da Otan e participar de uma cúpula do Conselho Europeu para discutir a guerra na Ucrânia.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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