Colômbia diz que receberia Maduro caso ele deixasse poder na Venezuela

Chanceler colombiana pediu negociações; presidente Gustavo Petro afirmou que é necessária "revolução democrática"

Da CNN Espanhol
Ditador Nicolás Maduro, da Venezuela, faz um coração com as mãos durante um protesto em apoio a ele em 1 de dezembro de 2025, em Caracas, Venezuela  • Jesus Vargas/Getty Images
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A Colômbia pode oferecer proteção ao ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, caso ele deixe o país para uma transição de poder, segundo a ministra das Relações Exteriores colombiana, Rosa Yolanda Villavicencio.

“Dada a atual tensão, as negociações são necessárias e, certamente, se os Estados Unidos exigirem uma transição ou uma mudança, [a saída de Maduro da Venezuela] é algo que eles devem considerar", afirmou Villavicencio em entrevista nesta quinta-feira (11) ao veículo de comunicação Caracol.

"Se essa saída implicar que ele [Maduro] tenha que viver em outro país ou buscar proteção, a Colômbia não teria motivos para recusar”, adicionou.

Na quarta-feira (10), o presidente colombiano, Gustavo Petro, afirmou que a Venezuela precisa de uma “revolução democrática” e pediu um “governo de transição”.

“O governo Maduro precisa entender que a resposta à agressão externa não é apenas a mobilização militar, mas uma revolução democrática. Um país se defende com mais democracia, não com mais repressão ineficaz”, escreveu Petro em sua conta no X.

“Chegou a hora de uma anistia geral e de um governo de transição que inclua a todos. A pátria de Bolívar não deve ser invadida por estrangeiros, nem por retórica vazia, nem por prisões da alma. A pátria de Bolívar se defende com mais democracia e soberania”, acrescentou.

Pressão dos EUA e mobilização militar

Há meses, os Estados Unidos vêm realizando uma campanha de pressão que incluiu o deslocamento de milhares de soldados e um grupo de ataque de porta-aviões das Forças Armadas americanas para o Caribe, além de repetidas ameaças do presidente Donald Trump contra Maduro.

Segundo fontes consultadas pela CNN, o governo Trump está elaborando planos para "o dia seguinte" à deposição de Maduro.

Os planos incluem diversas opções de como os Estados Unidos poderiam agir para preencher o vácuo de poder e estabilizar o país caso o ditador deixe o poder, seja voluntariamente, como parte de uma saída negociada ou se for forçado a sair após ataques americanos.

Trump conversou por telefone com Maduro no final de novembro, poucos dias antes de os EUA o classificarem como integrante de uma organização terrorista estrangeira.

Um alto funcionário da Casa Branca afirmou que, embora a ligação não tenha sido necessariamente conflituosa, Trump e deu uma espécie de ultimato a Maduro, dizendo que era do interesse do próprio ditador deixar o país.

Por sua vez, o venezuelano pontuou que a conversa foi respeitosa e "cordial", mas não deu mais detalhes sobre os assuntos discutidos.

"Se esta ligação significa que estão sendo tomadas medidas em direção a um diálogo respeitoso entre Estados, entre países, então bem-vindos ao diálogo, bem-vindos à diplomacia, porque sempre buscaremos a paz", afirmou Maduro.