COP30

Colômbia exige inclusão de combustíveis fósseis em texto final da COP30

Declaração é assinada pelo país em nome de 40 países

Fernanda Pinotti, da CNN Brasil
COP30 acontece entre 10 e 21 de novembro na cidade de Belém, no Pará  • Aline Massuca/COP30
Compartilhar matéria

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, publicou uma declaração em nome de 40 países exigindo que a necessidade de diminuir o uso de combustíveis fósseis seja incluída no texto final da COP30.

"A Colômbia, em nome de 40 países do mundo todo, exige que a declaração da COP 30 em Belém do Pará declare explicitamente que a superação da crise climática requer uma redução substancial no consumo e na extração de combustíveis fósseis, conforme ditam as normas científicas. As políticas públicas devem seguir a ciência, ou serão absurdamente irracionais em relação à própria existência", escreveu Petro ao postar a declaração em seu perfil no X, antigo Twitter.

"Passar do genocídio para o omnicídio não é o caminho que a ONU deve trilhar. Se a COP não incorporar esse conceito, fracassará diante da necessidade urgente de salvar o planeta e a humanidade", acrescentou o presidente.

O texto defende a inclusão de um plano de transição para a eliminação gradual do uso de combustíveis fósseis, uma das principais propostas do governo brasileiro no evento. Apelidada de "roadmap dos combustíveis fósseis", a proposta havia sido defendida por vários países, mas parece não ter obtido o consenso necessário para constar no documento final da COP.

A declaração publicada por Petro é assinada pela Colômbia em nome de Áustria, Bélgica, Bulgária, Chile, Costa Rica, Croácia, Tchéquia, Dinamarca, Estônia, Fiji, Finlândia, França, Georgia, Alemanha, Guatemala, Honduras, Islândia, Irlanda, Quênia, Liechtenstein, Luxemburgo, Ilhas Marshall, México, Mônaco, Países Baixos, Panamá, Palau, República da Coreia, Eslovênia, Espanha, Suécia, Suíça, Tuvalu, Reino Unido e Vanuatu.

Impasses no último dia de COP30

A ausência de um plano para diminuir o uso de combustíveis fósseis no rascunho da decisão final gerou desconforto entre os países que apoiavam o plano na manhã desta sexta (21). Representantes desses países afirmam que o novo texto, que se limita a mencionar a necessidade de “uma economia de baixo carbono”, reduz a ambição climática e pode afetar o andamento das negociações em outras áreas.

A decisão de excluir o compromisso veio após críticas de nações fortemente dependentes da exploração de petróleo, gás e carvão. Esses países argumentaram que a proposta anterior colocava pressão excessiva sobre suas economias e pedia uma transição considerada, por eles, desproporcional.