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    Comandante de grupo responsável por ataque às forças americanas é morto, dizem EUA

    Iraque repudiou ação dos Estados Unidos

    Veículos militares dos EUA na base aérea de Ain al-Asad, na província de Anbar, no Iraque
    Veículos militares dos EUA na base aérea de Ain al-Asad, na província de Anbar, no Iraque 13/01/2020REUTERS/John Davison

    Natasha BertrandOren LiebermannMohammed TawfeeqHaley Britzkyda CNN

    Um ataque militar dos Estados Unidos em Bagdá, no Iraque, matou um comandante do Kataib Hezbollah responsável por ataques às forças americanas na região, de acordo com o Comando Central dos EUA nesta quarta-feira (7).

    A ação foi realizada por um drone contra um veículo em Bagdá, segundo autoridades dos EUA e do Iraque. Não há informações de danos colaterais ou vítimas civis, afirmou o Comando Central em comunicado.

    “Não hesitaremos em responsabilizar todos aqueles que ameaçam a segurança das nossas forças”, advertiram os militares norte-americanos.

    O alvo era Wisam Mohammed Saber al-Saedi, de acordo com três autoridades norte-americanas. O Kataib Hezbollah divulgou um comunicado de luto por al-Saedi, dizendo que a morte dele “nos chama a permanecermos firmes na abordagem jihadista”.

    Autoridades policiais locais afirmaram que o ataque atingiu um SUV em Al-Mashtal, um bairro predominantemente xiita no leste de Bagdá.

    Isso ocorre enquanto os EUA executam ataques retaliatórios contra grupos apoiados pelo Irã que lançaram um ataque de drones contra um posto avançado americano na Jordânia no mês passado, matando três soldados.

    Os EUA atribuíram esse ataque a um conjunto de milícias apoiadas pelo Irã, denominado Resistência Islâmica no Iraque. Uma autoridade americana ressaltou que o ataque fazia parte da resposta que o presidente Joe Biden autorizou na semana passada em resposta ao ataque na Jordânia.

    Uma outra autoridade dos Estados Unidos destacou à CNN que o Iraque não foi notificado antecipadamente do ataque desta quarta-feira por questões de segurança operacional.

    Ainda assim, enfatizou que os EUA foram claros nas conversas com o Iraque que responderiam ao ataque de drones “em um momento e local de sua escolha”.

    O Comando de Operações Conjuntas do Iraque disse em comunicado que vê o ataque como uma “nova agressão dos Estados Unidos”. O porta-voz Tahseen Al Khafaji acrescentou que a medida agiu para “minar todos os entendimentos” entre o Iraque e os EUA.

    Mais ataques serão feitos

    Um funcionário do governo Biden comentou à CNN que o ataque ao comandante do Kataib Hezbollah não marca o fim de uma série de ações retaliatórias, com mais ações nos próximos dias em resposta ao assassinato dos três soldados norte-americanos.

    Um funcionário da Casa Branca disse que a execução do ataque em si e o seu momento foram cuidadosamente considerados para evitar qualquer perda de vidas inocentes – e que os militares dos EUA agiram para perseguir este comandante assim que a oportunidade se apresentou.

    Na semana passada, o Kataib Hezbollah anunciou que iria parar os seus ataques e operações contra as forças dos EUA na região para não envergonhar o governo iraquiano.

    Uma equipe da CNN em Bagdá ouviu pelo menos duas fortes explosões por volta das 21h30, no horário local.

    Ataques no Iraque e Síria

    Os EUA conduziram ataques aéreos no Iraque e na Síria na semana passada, visando sete locais utilizados pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã e milícias afiliadas, em retaliação ao ataque na Jordânia.

    As autoridades disseram mais tarde que seriam tomadas medidas adicionais contra os grupos de milícias, que há meses atacam as forças dos EUA e da coalizão em toda a região.

    Até terça-feira (6), ocorreram pelo menos 168 ataques contra as forças dos EUA e da coligação no Iraque, na Síria e na Jordânia.

    O Pentágono destacou na noite de terça-feira que houve um total de 146 vítimas norte-americanas, incluindo ferimentos leves, nos ataques: três militares mortos em combate, dois com ferimentos muito graves, nove com ferimentos graves e 132 com ferimentos “não graves”.

    Além dos três soldados mortos na Jordânia, três outros militares foram levados para o Centro Médico Regional Landstuhl, na Alemanha.

    A vice-secretária de imprensa do Pentágono, Sabrina Singh, disse aos repórteres na terça-feira que um permanece por lá, enquanto os outros dois militares foram transferidos de volta para os EUA.

    O Comando Conjunto de Operações do Iraque afirmou nesta quarta-feira que está investigando um incidente depois que um veículo foi alvejado no leste de Bagdá e matou duas pessoas.

    “Uma equipe técnica especializada dos serviços de segurança começou a investigar um incidente que visou um veículo civil na área de Al-Mashtal”, na noite de quarta-feira, refere o comunicado.

    Os ataques no interior do Iraque ocorrem em momento delicado entre os governos dos EUA e do Iraque, uma vez que se espera que os dois iniciem em breve negociações sobre o futuro da presença dos EUA no país.

    No total, os EUA atingiram mais de 80 alvos em sete locais no Iraque e na Síria na semana passada, incluindo centros de operações de comando e controle, centros de inteligência, instalações de logística e cadeia de abastecimento de munições, foguetes e mísseis.

    O governo iraquiano disse que os ataques dos EUA mataram ao menos 16 pessoas, incluindo civis. Funcionários do Pentágono disseram apenas que o Comando Central dos EUA continua a sua avaliação dos danos de batalha da ação militar.

    Os EUA não notificaram o Iraque antes da série de ataques que realizaram no país na semana passada.

    Em comunicado após ataques anteriores, o Iraque qualificou a ação dos EUA de “violação da soberania do Iraque”.