Vencedora do Nobel da Paz, Navi Pillay, não atendeu ao telefone
Presidente do comitê afirmou que ainda não conseguiu entrar em contato com a vencedora do Nobel da Paz de 2026 para comunicar a decisão
O presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Jørgen Watne Frydnes, afirmou nesta sexta-feira (9), durante uma coletiva de imprensa, que ainda não conseguiu entrar em contato com Navi Pillay para informá-la de que ela venceu o Prêmio Nobel da Paz de 2026.
“Infelizmente, até onde sei, ainda não conseguimos falar com Navi Pillay. Então, minha mensagem para ela seria: se você vir uma ligação de um número norueguês, por favor, atenda”, disse Frydnes.
“Eu adoraria conversar com você em breve”, acrescentou.
Tempo depois, Pillay soube da premiação durante um evento realizado no tribunal que sediou os julgamentos de Nuremberg, há 80 anos. Em um vídeo publicado na rede social X por Agnès Callamard, secretária-geral da Anistia Internacional, ela fez um discurso improvisado para agradecer o reconhecimento.
Enquanto colegas a aplaudiam e a parabenizavam, a jurista sul-africana perguntou: “É verdade?”. Ela disse ter pensado que fosse uma brincadeira, até que uma das pessoas presentes confirmou que a notícia já havia sido divulgada pela imprensa.
Em tom de brincadeira, Pillay disse que poderia dividir o prêmio com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caso os colegas a aplaudissem um pouco mais. A fala foi uma alfinetada à vencedora anterior, a política venezuelana María Corina Machado.
Na sequência, destacou a importância de estar cercada de pessoas que apoiam a defesa dos direitos humanos.
A jurista também mencionou seu trabalho mais recente sobre a Faixa de Gaza. Segundo ela, a última atividade que havia realizado antes de receber a notícia foi a apresentação de um relatório que classificou como genocídio o que ocorre no território palestino.
Ao comentar a referência do Comitê Nobel à sua coragem, Pillay questionou por que seria necessário coragem para dizer a verdade. “Você interpreta a lei, analisa todos os fatos. Portanto, é uma tomada de decisão imparcial”, afirmou.
Amazing moment. Navi Pillay has received the Nobel Peace Prize ! https://t.co/HL3r1PJzLO We are at the Nuremberg Court; I cannot think of a stronger symbol for her Nobel prize. We are all so thrilled! This is her first reactions upon hearing the news: https://t.co/Crbj6XdiyQ
— Agnes Callamard (@AgnesCallamard) October 9, 2026
Nobel da Paz 2026
A juíza sul-africana Navanethem "Navi" Pillay ganhou o Prêmio Nobel da Paz nesta sexta-feira (9) "por seus esforços na promoção da paz e do direito internacional", informou o Comitê Nobel da Noruega.
"Um tema comum permeia desde seu trabalho inicial em defesa de Nelson Mandela e outros que se opuseram ao apartheid até sua atuação como juíza em alguns dos principais casos de tribunais internacionais de nossa época", afirmou o comitê.
Navi Pillay esteve diretamente envolvida nas investigações do genocídio de Ruanda e sobre abusos de direitos humanos de palestinos por Israel.
Em setembro do ano passado, sob a liderança de Pillay, a comissão publicou um relatório que concluiu que Israel havia cometido genocídio na Faixa de Gaza e que autoridades israelenses de alto escalão, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, haviam incitado esses atos. Israel classificou as acusações como escandalosas.
Durante o anúncio, o comitê afirmou que "deseja lembrar ao mundo que o Estado de Direito – nacional e internacional – sustenta o sistema que estabelecemos para garantir a paz e resolver conflitos de forma não violenta. A paz exige justiça."
O Prêmio Nobel da Paz é o quinto concedido esta semana, depois dos prêmios de Literatura, Química, Física e Medicina. A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, foi a vencedora em 2025. Na segunda-feira (12), será anunciado o vencedor para a área de Economia.
O Prêmio Nobel da Paz, no valor de 12 milhões de coroas suecas, ou cerca de 1,2 milhão de dólares, será entregue em Oslo no dia 10 de dezembro, aniversário da morte do industrial sueco Alfred Nobel, que instituiu o prêmio em seu testamento de 1895.


