Como Epstein construiu sua fortuna e ganhou acesso aos círculos de poder

Bilionário acusado de crimes sexuais enriqueceu com golpes financeiros, serviços para magnatas e possíveis esquemas de chantagem, alcançando um patrimônio de US$ 578 milhões

Da CNN Brasil
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Jeffrey Epstein, que começou sua carreira como professor de matemática, construiu uma fortuna de centenas de milhões de dólares através de uma combinação de conexões com pessoas poderosas, golpes financeiros e possíveis esquemas de chantagem. Sua trajetória financeira está intimamente ligada aos crimes sexuais pelos quais ficou conhecido, conforme explicou a correspondente Priscila Yazbek, durante o Fora da Ordem, o videocast de geopolítica da CNN Brasil.

Aos 23 anos, Epstein ingressou na empresa de investimentos Bear Stearns, onde rapidamente se tornou protegido de um executivo com quem mantinha proximidade por namorar sua filha. Nesse período, foi acusado de práticas questionáveis, como oferecer acesso privilegiado a IPOs para namoradas e usar contas de despesas da empresa em benefício próprio.

Ao longo das décadas de 1980 e 1990, Epstein participou de diversos esquemas financeiros duvidosos. Foi associado a golpes no setor de petróleo e a pirâmides financeiras com Steven Hoffenberg, que foi condenado por fraude de US$ 500 milhões envolvendo títulos de dívida falsos.

Conexões com bilionários

Parte significativa da fortuna de Epstein veio de seus relacionamentos com dois bilionários em particular: Leslie Wexner, fundador de grandes varejistas incluindo a Victoria's Secret, que teria gerado cerca de US$ 200 milhões para Epstein; e Leon Black, fundador da Apollo Global Management, que pagou aproximadamente US$ 170 milhões pelos serviços do financista.

Epstein cultivou sistematicamente relacionamentos com pessoas influentes, frequentemente sendo apresentado a novos círculos por meio de namoradas ou mulheres próximas. Essa estratégia lhe garantiu acesso à elite britânica e a outros grupos privilegiados. Além disso, fazia doações para instituições como Harvard e a Universidade Rockefeller, o que lhe proporcionava trânsito entre bilionários.

Os arquivos recentemente revelados sugerem que parte da fortuna de Epstein pode ter vindo de esquemas de chantagem contra homens poderosos com quem mantinha contato.

Ao falecer, Epstein deixou um patrimônio avaliado em US$ 578 milhões, incluindo duas ilhas nas Ilhas Virgens Americanas - Little St. James, conhecida como "ilha da pedofilia", e Great St. James - além de US$ 380 milhões em dinheiro e investimentos. Sua capacidade de acumular riqueza estava diretamente conectada à influência que exercia nos círculos de poder, o que também facilitava seus crimes.

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