Como funciona o processo de abertura do Estreito de Ormuz? Entenda

Segundo o analista Pedro Côrtes, ao CNN Novo Dia, a retomada da circulação de embarcações pelo estratégico corredor marítimo não será imediata devido às minas espalhadas e ao congestionamento de navios

Da CNN Brasil
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A reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente 20% do petróleo mundial, não será um processo simples nem imediato, conforme explica o analista de Clima e Meio Ambiente Pedro Côrtes, ao CNN Novo Dia. Diferentemente de uma avenida recém-inaugurada, o retorno à normalidade enfrenta obstáculos significativos.

"A gente não imagina que o fluxo vai retornar à normalidade porque um dos problemas que a gente verifica é o excesso de minas que foram espalhadas pelo Irã", aponta o analista.

Acrescentando: "Essas minas não são colocadas com uma localização precisa, ou seja, há necessidade de se fazer um processo de acompanhamento das embarcações dos petroleiros que vão atravessar e também uma etapa de desminagem, de retirada dessas minas para que esse corredor seja liberado".

Outro fator complicador é o congestionamento de embarcações aguardando autorização tanto para entrar quanto para sair do Golfo Pérsico. Este acúmulo de navios deverá levar tempo para ser normalizado, possivelmente ultrapassando o período inicial de trégua de duas semanas. Além disso, muitas empresas provavelmente correrão para formar estoques, temendo que a trégua não se mantenha, o que intensificará ainda mais o fluxo de embarcações pela região.

Impactos econômicos globais

Os efeitos da guerra no Oriente Médio serão duradouros e afetarão a economia mundial, segundo alertas do FMI mencionados durante a análise. A situação atual do petróleo é considerada pela Agência Internacional de Energia como mais grave que as crises da década de 1970, que impactaram a economia global por décadas.

A escassez de petróleo levará países a investirem mais em proteção e formação de estoques estratégicos. Nas últimas semanas, diversos países já liberaram parte de suas reservas e precisarão recompô-las, prevendo possíveis complicações futuras. O cenário é agravado pela ocorrência quase simultânea de três grandes conflitos mundiais: Rússia-Ucrânia, Israel-Hamas e agora o envolvimento de Irã, Estados Unidos e Israel.

Esta conjuntura pode representar "dez passos atrás no ritmo de crescimento" da economia mundial, como mencionado na análise, com possíveis mudanças na organização das cadeias produtivas globais. Existe a possibilidade de fábricas que estavam espalhadas pelo mundo passarem a se concentrar em países aliados militar e geopoliticamente, causando rupturas significativas nas cadeias logísticas internacionais.

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