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    Um voo da Lufthansa foi visto na Argentina como apoio à soberania nas Malvinas

    Lufthansa promoverá voo mais longo de sua história com passagem pelas Malvinas - ou Ilhas Falkland, para o governo britânico.

    Grupo de soldados argentinos. País reivindica soberania nas Ilhas Malvinas
    Grupo de soldados argentinos. País reivindica soberania nas Ilhas Malvinas Foto: Instagram/ Reprodução

    Por Maximilian Heath,

    da Reuters

     

    A companhia aérea alemã Lufthansa pediu ao governo argentino permissão para sobrevoar seu país a caminho das Malvinas (conhecida como Ilhas Falkland pelo governo britânico), disse a Argentina nesta quinta-feira (21).

    Segundo nota do Ministério das Relações Exteriores argentino, o pedido implica o reconhecimento das Malvinas “como parte do território argentino”.

    A Lufthansa, por sua vez, comunicou que fez o pedido pela necessidade de viabilizar dois voos para apoiar uma expedição de pesquisa polar nas ilhas. A rota passará pela Argentina porque o trajeto normal, via Cidade do Cabo, foi suspenso devido à pandemia do novo coronavírus.

    Argentina e Reino Unido há muito disputam o domínio das ilhas, com o país sul-americano reivindicando por décadas a soberania do território que é reconhecido como britânico. A disputa levou a uma breve guerra em 1982.

     

    O governo argentino disse que a Lufthansa pediu permissão para dois voos que levarão cientistas e equipes de apoio logístico de Hamburgo a Mount Pleasant, nas Malvinas, onde continuarão a bordo do navio “Polarstern” com destino à Antártica para fazer pesquisas sobre mudanças climáticas.

    A Argentina disse que o governo alemão também pediu permissão para que o navio de pesquisa Polarstern atracasse em Port Stanley, capital do território controlado pelos britânicos.

    Os dois voos de 15 horas estão programados para 1º de fevereiro e 30 de março.

    O Ministério das Relações Exteriores da Argentina afirmou, em um comunicado, que a Lufthansa pediu à sua autoridade de aviação civil e autoridades regionais para sobrevoar a Argentina e usar a cidade patagônica argentina de Ushuaia como um aeroporto alternativo caso não possa pousar nas Malvinas.

    O órgão informou que a embaixada alemã também pediu autorização à Prefeitura Naval Argentina para que o navio Polarstern entre em “Puerto Argentino”, nome argentino da capital das Malvinas, Porto Stanley.

    “Destaca-se a relevância do pedido da Lufthansa apresentado às autoridades argentinas, pois implica o reconhecimento das Ilhas Malvinas como parte do território argentino”, afirmou o ministério. 

    No ano passado, a Argentina renovou seu esforço para recuperar as Malvinas, nomeando um ministro das Malvinas, dizendo que redesenhará os mapas para enfatizar sua pretensão de uso em escolas e lobby nas Nações Unidas.

    O governo alemão não respondeu imediatamente a um pedido de comentários da Reuter sobre o caso.

    A Lufthansa anunciou a rota alternativa para o voo através das Malvinas em um comunicado à imprensa na quarta-feira, divulgando “o voo de passageiros mais longo da história de sua empresa, marcando um dos voos mais exclusivos que a companhia aérea já realizou”.

    Tanto os passageiros quanto a tripulação estão atualmente em quarentena de 14 dias e suas bagagens lacradas e descontaminadas em uma tentativa de tentar manter os casos de Covid-19 baixos na região remota. (Reportagem de Maximillian Health; escrita de Aislinn Laing; Edição de Leslie Adler)