Conselho de Segurança da ONU se reúne para discutir ataque ao Irã

Secretário-geral das Nações Unidas faz apelo dizendo que "paz duradoura só pode ser atingida por meios pacífico, como diálogo e negociação"

João Nakamura, da CNN Brasil, em São Paulo
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O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) se reúne na tarde deste sábado (28) para discutir o ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã.

Abrindo os trabalhos do corpo diplomático, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, cobrou as partes de se aterem ao direito internacional. Guterres retomou a cartilha da ONU para condenar os ataques de ambas as partes.

"Estamos testemunhando uma grande ameaça à segurança e paz internacional. A ação militar traz o risco de gerar uma reação em cadeia que ninguém pode controlar na região mais volátil do mundo ", afirmou Guterres.

"A paz duradoura só pode ser atingida por meios pacífico, como diálogo e negociação."

O secretário-geral da ONU condenou tanto o ataque inicial promovido por norte-americanos e israelenses, quanto a retaliação do Irã contra vizinhos do Oriente Médio.

Em seu pronunciamento, Guterres lamentou que as negociações em curso sobre um acordo nuclear tenham sido frustradas pelo ataque.

"Os ataques dos Estados Unidos e Israel seguem conversas indiretas entre Israel e Irã. Houve preparação para conversas técnicas que iriam acontecer na próxima semana. Eu sinto muito que essa oportunidade de diplomacia foi perdida", afirmou.

"Estou pedindo a desescalação e parada imediata dos ataques. Esses ataques têm grandes consequências para civis e regiões impactadas. Peço que retornem imediatamente à mesa de negociação por conta do programa nuclear", pontuou.

Estados Unidos

O enviado dos EUA à ONU, Michael Waltz, ponderou que a diplomacia não pode avançar onde não há "vontade genuína de cessar a agressão, onde não há um parceiro genuíno para a paz".

“A comunidade internacional há muito afirma um princípio simples e necessário: o Irã não pode ter uma arma nuclear. Esse princípio não é uma questão política, mas sim de segurança global, e, para esse fim, os Estados Unidos estão tomando medidas terríveis neste mês”, disse Waltz.

“A Operação Fúria Épica tem como objetivo objetivos específicos e estratégicos: desmantelar as capacidades de mísseis que ameaçam os aliados, degradar os recursos navais usados ​​para desestabilizar as águas internacionais e interromper a máquina que arma as milícias por procuração, além de garantir que o regime iraniano jamais possa ameaçar o mundo com uma arma nuclear”, acrescentou.

Irã

O embaixador do Irã na ONU, Amir-Saeid Irabani, condenou o ataque, dizendo que os EUA agiram ilegalmente contra direitos iranianos. Ele ainda afirmou que os norte-americanos distorcem os fatos para justificar a operação e confundir as pessoas.

Irabani argumentou que o ataque é uma agressão às leis internacionais e que os EUA iniciaram uma guerra contra a soberania da ONU e a ordem internacional.

O embaixador iraniano afirmou que o país se compromete a respeitar a soberania dos países vizinhos. Em resposta aos ataques, o regime dos aiatolás lançou uma onda de ataques em todo o Oriente Médio, com explosões ouvidas em diversos países que abrigam bases militares americanas, entre eles: Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque. Segundo Irabani, o intuito era atingir unicamente alvos norte-americanos.

Israel

Danny Danon, embaixador de Israel na ONU, acusou o regime iraniano de promover um discurso que prega a "morte de Israel e morte da América".

"Mísseis foram construídos e instalações foram criadas de forma escondida. Isso tudo foi feito numa preparação para ação", afirmou Danon.

O embaixador disse que as operações vão seguir por quanto tempo for necessário, e apontou que os alvos são as instalações nucleares iranianas.

"A desescalação não vai começar hoje, vai começar assim que o Irã aceitar eliminar suas instalações nucleares", pontuou.

O que está acontecendo?

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que os EUA iniciaram “grandes operações de combate” no Irã, prometendo aniquilar as forças armadas do país e destruir seu programa nuclear.

Em um vídeo de oito minutos publicado na rede Truth Social, Trump acusa o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares” e afirmou que os EUA “não aguentam mais”. Israel também anunciou ataques contra o Irã.

Diferentemente da última vez em que os EUA e Israel atacaram o Irã, em junho de 2025, estes ataques começaram à luz do dia, na madrugada deste sábado – o primeiro dia da semana no Irã – enquanto milhões de pessoas iam trabalhar ou estudar.

E enquanto os ataques americanos em junho terminaram em poucas horas, fontes disseram à CNN Internacional que, desta vez, as forças armadas norte-americanas estão planejando ataques para vários dias.

O presidente Donald Trump afirmou que o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, foi morto, e disse que os ataques vão continuar "pelo tempo que for necessário".

O Conselho de Segurança foi convocado por uma série de países que acreditavam ser urgente avançar com essa discussão antes de os EUA assumirem a presidência do corpo diplomático.