Construção de arma nuclear pelo Irã não está descartada, diz professor

Em entrevista à CNN, Alexandre Coelho, da FESPSP, avaliou que há ainda mais motivação para buscar capacidade nuclear sob sob liderança do novo líder, mais radical que Ali Khamenei

Da CNN Brasil
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Em entrevista à CNN, o professor de Relações Internacionais da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo) Alexandre Coelho alertou que a possibilidade do Irã desenvolver armas nucleares no futuro não está descartada. O especialista analisou o atual cenário no Oriente Médio após um mês de conflito entre Estados Unidos e Irã.

De acordo com Coelho, mesmo após os bombardeios americanos às instalações nucleares iranianas durante a chamada "Guerra dos Doze Dias", o país pode retomar seu programa nuclear. "A possibilidade do Irã novamente começar a enriquecer urânio, num processo que vai demorar, mas de no futuro ter uma arma nuclear nunca está descartada", afirmou.

O professor destacou que imagens de satélite captaram diversos caminhões próximos às usinas nucleares do Irã antes mesmo dos bombardeios americanos, o que poderia indicar a transferência ou a dispersão de urânio pelo vasto território iraniano.

Nova liderança mais radical

Outro fator que aumenta a preocupação é a recente mudança na liderança do país, com a ascensão de Mojtaba Khamenei, filho do antigo líder supremo Ali Khamenei. Coelho caracterizou o novo líder como "muito mais radical" que o pai e diretamente ligado à Guarda Revolucionária Iraniana.

"Com certeza é agora que, se tiver oportunidade, vai de fato desenvolver armas nucleares, haja vista o novo líder iraniano, que é mais radical que o próprio pai", avaliou o professor.

Ele também observou que qualquer movimento democrático que existia dentro do Irã foi severamente reprimido, com a Guarda Revolucionária "tratando de dizimar qualquer tipo de pensamento contraditório e de  movimentação que possa colocar em risco o regime".

O especialista criticou ainda a falta de clareza nos objetivos americanos no conflito. Segundo ele, o presidente Donald Trump tem apresentado justificativas contraditórias para a incursão militar no Irã, ora afirmando que o objetivo era mudar o regime, ora dizendo que era eliminar a capacidade nuclear iraniana, sem uma estratégia coerente aparente.

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