Coreia do Norte e do Sul testam mísseis balísticos e elevam tensão na região

Pyongyang lançou armamentos que caíram em águas da costa leste da Península Coreana; horas depois, Seul disparou novo míssil balístico de submarino submerso

Brad LendonJake KwonGawon BaeYoonjung Seoda CNN

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Tanto a Coreia do Norte quanto a Coreia do Sul testaram mísseis balísticos nesta quarta-feira (15), aumentando as tensões exponencialmente no que já era uma das regiões mais voláteis do planeta.

Pyongyang disparou primeiros os mísseis nesta quarta, com os projéteis caindo em águas da costa leste da Península Coreana com cinco minutos de intervalo, às 12h38 e 12h43 (0h38 e 1h43 em Brasília), de acordo com a Guarda Costeira do Japão.

Seul seguiu esse teste e menos de três horas depois disparou um novo míssil balístico lançado por submarino (SLBM) do submarino submerso ROKS Dosan Ahn Changho de 3.700 toneladas, disse o Ministério da Defesa da Coreia do Sul.

O míssil atingiu seu alvo com precisão, disse o ministério sem dar mais detalhes. O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, esteve presente para o teste, informou a pasta.

O desenvolvimento de armas da Coreia do Sul, incluindo sua capacidade de mísseis, tem ganhado velocidade à medida que o país tenta se tornar menos dependente dos Estados Unidos e mais cauteloso em relação ao crescente programa de mísseis na Coreia do Norte.

Em maio, Moon e o presidente dos EUA, Joe Biden, concordaram em encerrar um acordo bilateral de 40 anos que limitava o alcance e a carga útil dos mísseis sul-coreanos.

A Coreia do Norte, em uma postagem da Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA), disse que o fim dessas restrições ao Sul foi um “ato deliberado e hostil” de Washington e prometeu “combater os EUA com base no princípio de força para força”.

Com o lançamento, a Coreia do Sul se torna o sétimo Exército do mundo a testar um SLBM com sucesso, disse o ministério.

As outras nações com mísseis SLBM também são potências nucleares, mas a Coreia do Sul não possui armas nucleares.

Troca de intimidações

Mais cedo, a Coreia do Norte disparou dois mísseis balísticos não identificados em águas na costa leste da Península Coreana na quarta-feira, de acordo com o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul.

A Coreia do Sul disse que os mísseis cobriram uma distância de cerca de 800 quilômetros e atingiam 60 quilômetros de altitude.

O Ministério da Defesa do Japão disse que os projéteis norte-coreanos teriam caído em águas fora de sua zona econômica exclusiva.

Ainda assim, o primeiro-ministro japonês Yoshihide Suga chamou os lançamentos norte-coreanos de “ultrajantes”, acrescentando que eles “ameaçam a paz e a segurança do nosso país e da região”.

Novo míssil balístico lançado de submarino submerso pela Coreia do Sul
Novo míssil balístico lançado de submarino submerso pela Coreia do Sul / Reuters

Embora o Comando Indo-Pacífico das Forças Armadas dos EUA no Havaí tenha dito que o teste norte-coreano não representava nenhuma “ameaça imediata” para os EUA ou seus aliados, ele disse em um comunicado que o lançamento “destaca o impacto desestabilizador do programa de armas ilícitas da RPDC”, se referindo ao país com a sigla para República Popular Democrática da Coreia, nome oficial do país.

Os testes de mísseis de quarta-feira da Coreia do Norte e do Sul ocorreram poucas horas depois que Moon se encontrou com o Ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, em Seul.

A China exerce influência substancial sobre a Coreia do Norte e, durante a reunião, Moon disse que Pyongyang não tem respondido aos esforços de Seul e Washington para dialogar sobre a situação na península.

Os testes de mísseis balísticos da Coreia do Norte na quarta-feira são os primeiros de Pyongyang desde que Biden assumiu o cargo em janeiro e ocorreram poucos dias depois que Pyongyang disse que testou mísseis de cruzeiro de longo alcance no sábado (11) e no domingo (12).

Pyongyang está proibido de testar mísseis balísticos e armas nucleares de acordo com o direito internacional. Esses testes anteriores foram recebidos com rejeição internacional e sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Os mísseis de cruzeiro são movidos por motores a jato. Muito parecido com um avião, eles ficam mais próximos do solo, tornando-os mais difíceis de detectar. A maioria dos mísseis de cruzeiro não é projetada para transportar ogivas nucleares.

Os mísseis balísticos, em comparação, são impulsionados apenas em uma pequena parte de seu voo. Eles são disparados em uma trajetória de arco que, para versões de longo alcance, os leva para fora da atmosfera da Terra, e podem lidar com cargas úteis mais pesadas, como ogivas nucleares.

Os militares norte-coreanos revelaram dois novos mísseis em desfiles em outubro e em janeiro. Um, que analistas dizem que pode ser um dos maiores do mundo, era tão grande que precisava ser colocado em um caminhão de 11 eixos.

Mas no desfile militar mais recente da Coreia do Norte, na semana passada, não havia mísseis à vista e as fileiras foram preenchidas por armamentos menores, usados em campos de batalha.

“Alguns analistas sugeriram que o desfile foi restringido para permitir espaço para negociações, uma vez que não apresentava armas nucleares ou pronunciamentos políticos de Kim Jong Un“, disse Leif-Eric Easley, professor da Universidade Ewha em Seul.

“Mas os testes subsequentes de mísseis da Coreia do Norte contradizem as esperanças internacionais de diálogo.”

Líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, participa de desfile militar em Pyongyang
Líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, participa de desfile militar em Pyongyang / KCNA via REUTERS

Do lado sul-coreano, o lançamento do SLBM foi o primeiro de uma série de testes militares realizados pelos militares do país na quarta-feira.

Seul também disparou um míssil ar-superfície de longo alcance, liberando-o de uma aeronave, desdobrando suas asas e voando com sucesso até o alvo, disse o ministério.

Essa arma, ainda em desenvolvimento, foi projetada para ser usada pelos caças KF-21 da Coreia do Sul, jatos furtivos que estão em estágio de protótipo.

Um comunicado da Agência para o Desenvolvimento da Defesa da Coreia do Sul também disse que o país teve sucesso no desenvolvimento de um novo míssil balístico capaz de transportar uma ogiva mais pesada e mais forte.

O míssil é projetado para destruir estruturas de concreto e túneis, disse a agência.

“Este míssil balístico de alta potência aumentará a dissuasão de nossos militares em tempos de paz e em crise será usado como arsenal central para projetar uma resposta esmagadora”, disse o Ministério da Defesa.

O ministério disse que um míssil de cruzeiro hipersônico projetado para atacar navios inimigos também foi desenvolvido. O comunicado diz que o novo hipersônico é muito mais rápido do que os atuais mísseis do país e que em breve será implantado em unidades militares sul-coreanas.

EUA condenam lançamento da Coreia do Norte

Os Estados Unidos condenaram o lançamento do míssil da Coreia do Norte nesta quarta-feira (15), dizendo que o ato viola várias resoluções do Conselho de Segurança da ONU e representa uma ameaça aos vizinhos de Pyongyang, segundo um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano.

“Continuamos comprometidos com uma abordagem diplomática para a RPDC (República Democrática da Coreia) e os encorajamos a dialogar. Nosso compromisso com a defesa da República da Coreia e do Japão permanece inflexível”, disse o porta-voz.

O governo Biden disse que exploraria a diplomacia para atingir a meta de desnuclearização completa da Coreia do Norte, mas não faria barganhas com Kim. O assessor do Departamento de Estado não respondeu a questionamentos sobre o teste de mísseis da Coreia do Sul.

Com informações da Agência Reuters

(Texto traduzido; leia o original em inglês)

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