COVID-19 pode ser erradicada mesmo sem vacina, diz Trump

Declaração acontece no mesmo dia em que a Casa Branca inicia projeto para acelerar desenvolvimento de uma vacina

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump Foto: Carlos Barria/Reuters (28.abr.2020)

da CNN

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O presidente dos EUA, Donald Trump, minimizou a importância de uma vacina para a cura da COVID-19 em um encontro com representantes da indústria nesta quarta-feira (29). 

“Não estou contando com uma vacina”, declarou. Ao ser questionado por um jornalista se achava que a doença iria embora mesmo sem a vacina, Trump pareceu concordar. “O vírus vai embora. Vai sumir. Vai ser erradicado. Pode demorar mais do que pensamos, pode ser em seções menores”, disse. “Se houver surtos em certas áreas, nós o apagaremos. Nós sabemos como apagá-los agora”.

Os Estados Unidos são o país mais afetado pela pandemia, responsável por mais de um terço dos casos confirmados em todo o mundo. Foram reportados mais de um milhão de pacientes e 60.853 mortes.

A declaração de Trump acontece no mesmo dia em que um funcionário da Casa Branca confirmou à CNN o lançamento de um projeto para acelerar o desenvolvimento de uma vacina. 

Chamada de Operação Distorção da Velocidade, o objetivo é fabricar milhões de doses que estariam disponíveis para aplicação no fim deste ano, disse uma fonte ligada à presidência. Anthony Fauci, médico conselheiro da Casa Branca no enfrentamento da COVID-19, disse várias vezes que o desenvolvimento de algo semelhante poderia demorar entre um ano e dois anos. 

Empresas farmacêuticas e pesquisadores do governo federal estariam trabalhando juntos para vencer esse cronograma.

Pesquisas eleitorais

Trump diminuiu a frequência das entrevistas coletivas sobre a evolução da COVID-19 após declarar que injeções com desinfetante poderiam ser efetivas contra a doença.

No dia seguinte após a afirmação desastrosa, foi divulgada uma pesquisa eleitoral que mostra que Joe Biden —o candidato democrata— lidera as intenções de voto para a eleição presidencial por ao menos seis pontos (44% a 38%). A vantagem poderia chegar a dez pontos (50% a 40%) se não houver um candidato independente na corrida.

No último levantamento, conduzido há quatro meses, Trump liderava por 44% a 41%. 

O estresse da pandemia e da disputa pela reeleição tem acumulado, e funcionários reportaram ter visto o presidente gritar com o seu gerente de campanha, Brad Parscale. Segundo pessoas ouvidas pela CNN, Trump teria até ameaçado processar o funcionário.

A Casa Branca não respondeu à CNN e a campanha de Trump se recusou a comentar.

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