Cuba diz que 4 pessoas morreram após lancha da Flórida entrar em suas águas

Ministério do Interior cubano afirmou que tripulantes da embarcação abriram fogo após serem abordados

Daniel Trotta, da Reuters, em Havana
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Forças de Cuba mataram quatro pessoas e feriram outras seis a bordo de uma lancha registrada no estado americano da Flórida que entrou em águas cubanas nesta quarta-feira (25) e abriu fogo contra uma patrulha cubana, informou o governo de Havana em um momento de tensões elevadas com os Estados Unidos.

Os feridos foram retirados e estão recebendo atendimento médico, enquanto o comandante da patrulha cubana também ficou ferido, informou o Ministério do Interior de Cuba em um comunicado, acrescentando que o caso está sendo investigado para esclarecer exatamente o que aconteceu.

O incidente ocorreu em um momento em que os Estados Unidos bloquearam praticamente todos o fornecimento de petróleo da ilha, aumentando a pressão sobre o governo comunista.

As forças americanas capturaram o Nicolás Maduro, em Caracas, no dia 3 de janeiro, removendo do poder um importante aliado e fornecedor de Cuba.

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, disse ter sido informado sobre o incidente pelo secretário de Estado Marco Rubio, mas que poucos detalhes eram conhecidos.

Os EUA estavam monitorando a situação e "esperamos que não seja tão grave quanto tememos", disse Vance ao ser questionado por um repórter sobre o incidente.

O Departamento de Estado não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.

Lanchas de alta velocidade que tentam levar pessoas para fora da ilha já entraram em confronto com forças cubanas no passado, incluindo um incidente em 2022 no qual a patrulha de fronteira cubana matou um suspeito, de acordo com um comunicado do governo cubano.

Essa foi uma das 13 lanchas vindas dos EUA interceptadas no primeiro semestre daquele ano, segundo Cuba.

Apesar das relações amplamente antagônicas entre os Estados Unidos e Cuba ao longo de 67 anos, os dois países cooperaram em questões de tráfico de drogas e contrabando de pessoas no Estreito da Flórida, com ênfase no período de reaproximação sob o governo do ex-presidente americano Barack Obama.

Em virtude de acordos de longa data, a Guarda Costeira dos EUA devolveu migrantes capturados no mar a Cuba.

No incidente desta quarta-feira, a lancha chegou a menos de uma milha náutica de um canal no Cayo Falcones, na costa norte de Cuba, a cerca de 200 km a leste de Havana, quando foi abordada por cinco membros de uma unidade de patrulha de fronteira cubana, informou Cuba.

A lancha então abriu fogo, ferindo o comandante da embarcação cubana, segundo o comunicado.

Nenhum dos mortos ou feridos a bordo da embarcação que se aproximava foi identificado, mas Cuba afirmou que ela estava registrada na Flórida com o número FL7726SH.

"Diante dos desafios atuais, Cuba reafirma seu compromisso com a proteção de suas águas territoriais, com base no princípio de que a defesa nacional é um pilar fundamental para o Estado cubano na salvaguarda de sua soberania e estabilidade na região", afirmou o comunicado cubano.

O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, disse que determinou a abertura de uma investigação em conjunto com outros parceiros estaduais e federais de aplicação da lei, afirmando que as informações cubanas não são confiáveis.

Em uma publicação no Facebook, o gabinete de Uthmeier afirmou: "O governo cubano não é confiável e faremos tudo ao nosso alcance para responsabilizar esses comunistas."

O deputado americano Carlos Gimenez, republicano cujo distrito inclui a ponta sul da Flórida, pediu uma investigação federal, afirmando que o incidente levantou sérias preocupações sobre o uso de força letal contra uma embarcação registrada nos Estados Unidos.

Gimenez disse ter pedido ao Departamento de Estado e às Forças Armadas dos EUA que investigassem o caso, no qual acusa Cuba de executar quatro pessoas. Ele não apresentou provas.

"As autoridades dos Estados Unidos devem determinar se alguma das vítimas era cidadã americana ou residente legal e estabelecer exatamente o que aconteceu", disse Gimenez.