Cuba reabre as portas ao turismo apesar da ameaça de protestos

Manifestantes clamam por uma marcha pacífica enquanto o governo coloca policiais à paisana - situação é tensa, apesar das ruas parecerem tranquilas

Ativistas desejam manifestações pacíficas e governo coloca policiais à paisana
Ativistas desejam manifestações pacíficas e governo coloca policiais à paisana Getty Images

Marc FrankNelson Acostada Reuters

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Nesta segunda-feira (15), Cuba reabriu escolas e suas fronteiras ao turismo internacional, enquanto grupos de oposição pediam a seus apoiadores que protestassem por maiores liberdades políticas, criando assim um confronto tenso entre o governo e seus críticos na ilha caribenha.

Ativistas há meses clamam nas redes sociais por uma “Marcha Cívica pela Mudança”, principalmente após os protestos de rua em julho, o maior da ilha em décadas.

O governo comunista de Cuba proibiu as manifestações desta segunda, dizendo que fazem parte de uma campanha de desestabilização dos Estados Unidos, que mantém um embargo ao país desde a época da Guerra Fria. As autoridades americanas negam isso.

Moradores de toda a ilha não relataram nenhum grande comício até o meio-dia, horário local, mas os dissidentes cubanos continuaram convocando manifestantes as redes sociais realizar protestos em 10 cidades do país, entre elas Havana, Pinar del Rio e Guantánamo.

 

Em Havana, houve um grande aumento de policiais à paisana e uniformizados, embora as ruas parecessem mais silenciosas do que o normal, pois alguns pais mantinham seus filhos em casa. “Decidi deixar minha filha de 6 anos em casa neste primeiro dia de aula pois estava preocupada de algo acontecer”, disse a funcionária pública Jennifer Puyol Vendesia.

Outras manifestações que haviam sido planejadas pelo movimento Archipiélago para o domingo fracassaram. Seu líder, o dramaturgo Yunior Garcia, teve sua casa cercada em Havana. Garcia é um os principais nomes por trás da marcha pacífica dessa segunda, no entanto o bairro onde ele mora estava tranquilo e seu prédio estava coberto com bandeiras cubanas de apoiadores do governo, penduradas no telhado no dia anterior, de acordo com uma testemunha da Reuters.

Um dia antes, no domingo à tarde, Garcia pediu aos cubanos pelas redes sociais, que batessem palmas e panelas em apoio ao movimento, mas moradores de Havana e de várias cidades do interior disseram que seus bairros permaneceram quietos. O ato deve se repetir também nesta segunda, às 20h (horário local).

A segurança do estado e grupos de apoiadores do governo cercaram as casas dos ativistas nesta manhã, segundo grupos de direitos humanos e reportagens nas redes sociais.

Saily Gonzalez, outra líder do Archipielago, publicou no Facebook um vídeo que parecia mostrar partidários do governo se reunindo em frente à sua casa em Santa Clara. No vídeo, o grupo, alguns vestidos de vermelho em apoio ao governo, a chama de traidora e a adverte a não marchar. Gonzalez grita de volta, dizendo que marcharia apesar das ameaças.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, condenou as “táticas de intimidação” do governo de Cuba e prometeu que Washington buscaria “responsabilização” pela repressão.

“Pedimos ao governo cubano que respeite os direitos dos cubanos, permitindo que eles se reúnam pacificamente, e mantendo as linhas de Internet e telecomunicações abertas”, disse Blinken no comunicado.

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodriguez, respondeu no Twitter, dizendo aos Estados Unidos para ficarem de fora dos assuntos cubanos.

Eunice Pulles, ativista que estava vestida com uma camisa branca em uma rua de Havana para mostrar seu apoio às manifestações pacíficas, acreditava que a maioria estava muito intimidada pela polícia para sair às ruas.

“Não haverá protestos porque as pessoas estão com medo da repressão do governo”, disse ela.

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