De ponto forte à vulnerabilidade: americanos criticam Trump na economia

Aumento nos preços dos combustíveis puxado pela guerra contra Irã prejudica trabalho do republicano na área econômica

Danilo Cruz, da CNN Brasil, em São Paulo
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O presidente americano, Donald Trump, encontra dificuldade no tópico que já foi sua maior força: a economia. Pesquisa Ipsos/Reuters aponta que os cidadãos dos Estados Unidos veem os temas econômicos como os principais problemas do país recentemente.

A frustração chega diante de um aumento inflacionário. A alta nos preços dos combustíveis na bomba com o fechamento do Estreito de Ormuz e da Guerra contra o Irã puxou o resultado.

Somente no mês passado, a gasolina disparou 12,3%. Já o principal índice de inflação local, o PCE, subiu 3,8% nos últimos 12 meses - o pior cenário desde maio de 2023.

A escalada nos custos dos combustíveis é um fator que pesará no restante do segundo mandato do republicano. “Historicamente, quedas de aprovação ligadas a choques energéticos são de difícil recuperação”, aponta a Ipsos.

21% dos americanos dizem que o maior problema do país é a economia e o desemprego. 12% apontam para ameaças a valores democráticos e 10% à corrupção.

Esses aspectos também figuram entre os pontos que a população mais desaprova no atual governo.

Em agosto de 2020, poucos meses antes da eleição presidencial, a aprovação de Trump na economia era de 47% - segundo a Ipsos.

A “reclamação” neste ano é bipartidária. O tema é a prioridade de eleitores republicanos e independentes e fica na 2ª posição para os democratas.

74% dos americanos apontam que o “custo de vida” está, de alguma forma, indo na direção errada. Em janeiro de 2025, quando Trump retornou ao Salão Oval, esse número era de 50%.

Sobre o trabalho de Trump nesse quesito, o cenário é parecido. No início do ano passado, 44% dos americanos demonstraram insatisfação. Em maio de 2026, depois de diversos tarifaços e da Guerra contra o Irã, eram 73%.

Além do aumento direto nos preços, comentários de Trump dizendo que não se importa com a situação do custo de vida também pesou ao público.

“A única coisa que importa quando estou falando sobre o Irã é que eles não podem ter uma arma nuclear. Eu não penso sobre a situação financeira dos americanos. Não penso em ninguém. Só penso que não podemos permitir que o Irã tenha uma bomba nuclear”, disse Trump antes de embarcar em viagem para a China.

Com isso, a Ipsos pontua que a oposição democrata deve garantir alguma vantagem nas eleições de meio de mandato. O pleito ocorre em novembro e renova todos os assentos na Casa dos Representantes e parte do Senado.

Trump, por outro lado, repetiu que não presta muita atenção no tema. “Eu não me importo com as eleições de meio de mandato”, frisou.