Trump e Netanyahu tentaram desviar atenção doméstica com Irã, diz professor

Ao WW, o professor de Relações Internacionais Juliano Cortinhas avalia que Trump e Netanyahu usaram o conflito para afastar foco de crises internas

Da CNN Brasil
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O ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel ao Irã foi, na avaliação do professor de Relações Internacionais da UnB Juliano Cortinhas ao WW, uma manobra política para desviar a atenção da opinião pública dos problemas domésticos enfrentados pelos dois países.

Pressões internas como pano de fundo

Segundo Cortinhas, o contexto em que o ataque ocorreu não pode ser analisado de forma isolada.

"Não dá para a gente olhar para a questão da relação Estados Unidos-Irã e colocar Israel nesse meio do caminho como uma questão isolada", afirmou o especialista.

Para ele, o episódio integra um cenário mais amplo que envolve o Oriente Médio como um todo.

O especialista destacou que tanto o primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, quanto o presidente americano, Donald Trump, atravessavam momentos de intensa pressão interna.

No caso de Netanyahu, além da instabilidade do governo, havia a crise na Palestina — descrita por Cortinhas como "o genocídio contra os palestinos" —, que gerava críticas tanto dentro de Israel quanto no sistema internacional.

"Com o Irã, Netanyahu consegue desviar a atenção do ambiente internacional para o Irã", analisou.

Negociações atuais não resolverão a crise, avalia especialista

Para Cortinhas, as tentativas de renegociação em curso não devem levar a uma solução definitiva.

O especialista lembrou que o Irã já havia sido atacado no ano anterior, e que, na ocasião, foi declarado o aniquilamento do programa nuclear iraniano.

"Se isso fosse verdade, eles não teriam atacado novamente esse ano", ponderou.

Na sua visão, o que se busca agora é apenas um adiamento do problema, possivelmente até depois das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para novembro.

Cortinhas também mencionou o fechamento do Estreito de Ormuz como um dos fatores que potencializaram a crise e geraram elevada tensão na região.

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