De saída, governo Trump acusa China de genocídio contra minoria muçulmana

Declaração garante que relações entre a China e o novo governo dos EUA tenham um começo difícil

Mulher uigure na beira da estrada enquanto polícia paramilitar chinesa passa dentro de caminhão em rua de Urumqi, na região de Xinjiang, na China
Mulher uigure na beira da estrada enquanto polícia paramilitar chinesa passa dentro de caminhão em rua de Urumqi, na região de Xinjiang, na China Foto: Nir Elias/Reuters (9.jul.2009)

Reuters

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O governo Trump determinou que a China cometeu “genocídio e crimes contra a humanidade” ao reprimir os muçulmanos uigures na região de Xinjiang, disse o secretário de Estado Mile Pompeo nesta terça (19), um golpe embaraçoso para Pequim um dia antes da posse do presidente eleito Joe Biden. 

Pompeo disse que fez a declaração —que, certamente, deve desgastar ainda mais os laços já fragilizados entre as duas maiores economias do mundo— “após examinação cuidadosa dos fatos disponíveis”, acusando o Partido Comunista Chinês de crime contra a humanidade contra os uigures e outras minorias muçulmanas desde, ao menos, março de 2017. 

“Eu acredito que esse genocídio está em curso, e que estamos testemunhando uma tentativa sistemática de destruição dos uigures pelo Estado chinês”, disse Pompeo em nota. 

A China é amplamente condenada pelos complexos de Xinjiang, que descreve como “centros de treinamento vocacional” para eliminar extremismo e dar novas habilidades às pessoas, e que outros chamaram de campos de concentração. O país nega as acusações de abuso. 

A determinação rara dos Estados Unidos segue um debate interno intenso depois que o Congresso passou uma legislação em 27 de dezembro que requeria que o governo dos EUA determinasse dentro de 90 dias se o trabalho forçado e outros supostos crimes contra os uigures e outras minorias muçulmanas são crimes contra a humanidade ou genocídio. 

A campanha de Biden declarou, antes do dia da eleição americana em 3 de novembro, que um genocídio estava acontecendo em Xinjiang. Mas o movimento de Pompeo vai garantir um começo especialmente difícil para as relações do novo governo com Pequim.

Um porta-voz da transição de Biden se recusou a comentar essa determinação antes que o novo governo seja empossado nesta quarta (20). 

A Embaixada da China em Washington não respondeu imediatamente a um pedido de comentário, mas, na semana passada, classificou como “mentira” um relatório parlamentar que dizia que “crimes contra a humanidade — e possivelmente genocídio — estão acontecendo” em Xinjiang.

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