Dezenas de alemães vão para parada LGBTQIA+ proibida na Hungria

Primeiro-ministro Viktor Orban aprovou lei em março que criou base legal para polícia proibir marchas do orgulho

Erol Dogrudogan, Andi Kranz e Michele Sani, da Reuters
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Dezenas de alemães partiram para Budapeste, na Hungria, na manhã desta sexta-feira (27) para participar da Parada do Orgulho LGBTQIA+ que foi proibida neste fim de semana. O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, tinha avisado para ninguém comparecer.

O porta-voz da viagem, Benjamin Dick, falou que, embora desconfortável, a proibição "fortalece nossa determinação de ir até lá e demonstrar solidariedade juntos".

Orban falou nesta sexta-feira (27) que haveria "consequências legais" para quem organizasse ou participasse da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Budapeste, violando a proibição policial ao evento planejado para este fim de semana.

"Como pessoa gay, é importante para mim que meus direitos sejam preservados de alguma forma", afirmou o jovem Tim Stenzhorn antes de embarcar no ônibus.

"Eu continuo dizendo que não para por aí, na Hungria. Se você olhar para os Estados Unidos ou a Polônia, nossos direitos estão sendo atacados", acrescentou ele.

O parlamento da Hungria, no qual o partido de direita Fidesz, de Orbán, tem ampla maioria, aprovou uma lei em março que criou uma base legal para a polícia proibir marchas LGBTQIA+, sob a alegação de que a proteção de crianças substituiria o direito de reunião.

A lei também permite que a polícia use câmeras de reconhecimento facial para identificar os participantes e aplicar multas.

Os críticos veem a proibição da Parada do Orgulho como parte de uma repressão mais ampla às liberdades democráticas antes das eleições gerais do próximo ano, quando Orbán enfrentará uma forte oposição, apontada por pesquisas de opinião recentes como vencedora.