Dinamarca acusa navio russo de disparar contra helicóptero militar
Embarcação militar da Rússia atingiu de raspão aeronave da Otan em águas internacionais próximas à Dinamarca; governo local convocou embaixador russo

O Ministério das Relações Exteriores da Dinamarca convocou o embaixador da Rússia nesta terça-feira (15), após um navio de guerra russo disparar dois sinalizadores de emergência na direção de um helicóptero militar dinamarquês no Mar Báltico.
O helicóptero Fennec foi alvo dos disparos na segunda-feira (14), enquanto realizava fotografias de rotina do navio em águas internacionais próximas à costa sul da Dinamarca, segundo comunicado das Forças Armadas dinamarquesas.
“Um dos sinalizadores disparados passou a uma curta distância do helicóptero”, afirmou o comunicado.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, classificou o incidente como “irresponsável” em uma publicação no X.
“Ação irresponsável da Rússia contra militares dinamarqueses durante um voo de rotina ontem”, escreveu. “As ações russas têm como objetivo intimidar e dividir. Não terão sucesso. Não vamos recuar.”
A Rússia não comentou publicamente o incidente.
O que aconteceu
Uma embarcação de guerra russa disparou dois sinalizadores na direção de um helicóptero militar dinamarquês em águas internacionais próximas à Dinamarca nesta segunda-feira (14), atingindo o avião de raspão, segundo as Forças Armadas do país, integrante da Otan (Organização do Atlântico Norte).
A região do Mar Báltico está em alerta máximo após incidentes envolvendo interrupções em gasodutos, violações do espaço aéreo e avistamentos de drones desde a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, em 2022. Os episódios aumentaram as tensões entre Moscou e o Ocidente.
O helicóptero militar Fennec realizava uma missão de rotina para fotografar a fragata russa, informou o Comando de Defesa da Dinamarca em comunicado divulgado na noite de segunda-feira (14).
Um dos sinalizadores — artefatos pirotécnicos normalmente usados como alerta no mar — passou perto do helicóptero, segundo o comando.
A Embaixada da Rússia não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.
Dinamarca diz que Rússia está mais agressiva
A primeira-ministra Mette Frederiksen afirmou que o incidente foi grave, mas não surpreendente, e o classificou como parte de um padrão no qual uma Rússia cada vez mais agressiva intensificou sua guerra híbrida contra a Europa e vem testando a Otan.
“A Rússia quer semear medo e discórdia. Nossa resposta é permanecermos mais unidos e reforçarmos a defesa da Dinamarca e da Europa”, disse ela em comunicado.
Ataques híbridos são normalmente classificados como ações de agressão que não chegam a configurar atos de guerra.
O ministro das Relações Exteriores, Lars Lokke Rasmussen, chamou o incidente de “inaceitável” e afirmou que a ação poderia ter colocado vidas humanas em risco.
“A Dinamarca trabalha para garantir que toda a navegação possa passar pacificamente pelas águas dinamarquesas, mas a Rússia está gradualmente ampliando os limites do que considera um comportamento aceitável”, disse ele em comunicado.
Rasmussen afirmou que convocou o embaixador da Rússia na Dinamarca para uma reunião.
Via estratégica para navegação e petróleo
Os estreitos dinamarqueses são a principal rota marítima de entrada e saída do Mar Báltico para embarcações comerciais e militares. A região também é uma importante via para o transporte global de petróleo, inclusive para a chamada frota fantasma da Rússia, formada por petroleiros usados para contornar sanções ocidentais.
O Serviço de Inteligência de Defesa da Dinamarca afirmou no ano passado que navios de guerra russos haviam navegado repetidamente em rota de colisão com embarcações dinamarquesas, apontado radares de rastreamento para helicópteros e navios dinamarqueses e direcionado armas contra eles nos estreitos.
A Rússia rejeitou acusações relacionadas a esses incidentes e negou repetidamente realizar ataques híbridos na Europa.


