Do temor ao alívio: Lula atravessa "momento da maldade" de Trump

Líderes realizaram reunião presencial em Kuala Lumpur, na Malásia, com duração de 50 minutos

Daniel Rittner, da CNN Brasil
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Os dez minutos em que Donald Trump abriu a sala para repórteres em Kuala Lumpur, na Malásia, eram o período mais temido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e por seus auxiliares em um encontro com o colega americano.

Ficou nítido o desconforto de Lula, que perdeu a paciência e reclamou da presença da imprensa por tanto tempo, mas o brasileiro passou incólume pelo "momento da maldade".

Essa expressão foi usada em diversos momentos, por assessores de Lula, para se referir ao "espancamento" de Trump a outros chefes de Estado: a humilhação verbal imposta ao ucraniano Volodymyr Zelensky e ao sul-africano Cyril Ramaphosa no Salão Oval.

O temor de que Lula se convertesse em um "novo Zelensky" ou um "Ramaphosa 2" era justamente o motivo pelo qual o Palácio do Planalto e o Itamaraty sempre rejeitaram um primeiro encontro, com Trump, na Casa Branca.

O ambiente do Salão Oval é onde Trump dita as regras. Por isso, um lugar neutro -- a cúpula da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático) -- logo se tornou a opção preferencial.

A situação em que Lula se colocou frente a frente com Trump, com os microfones abertos e suas falas são testemunhadas pelo mundo em tempo real, era o que o governo brasileiro gostaria de ter evitado.

Do temor ao alívio, apesar do desconforto e da impaciência de Lula, o presidente atravessou a "zona da maldade" sem as temidas provocações de Trump.