Efeitos da política do filho único e mais idosos: o 7º censo populacional chinês

Nova pesquisa será lançada em novembro, com desafio de entrevistar 1,3 bi de pessoas durante pandemia e projeções de quando Índia se tornará país mais populoso

Visão noturna de Beijing
Visão noturna de Beijing Foto: anthonychong / Pixabay

James Griffiths,

da CNN

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Como contar 1,3 bilhão de pessoas em meio a uma pandemia? A China vai descobrir isso quando o país mais populoso do mundo lançar seu sétimo censo nacional em 1º de novembro.

De acordo com a agência de notícias estatal Xinhua, o empreendimento colossal contará com cerca de 7 milhões de trabalhadores do censo espalhados por todo o país, coletando nomes, números de identidade, gênero, detalhes matrimoniais, bem como informações educacionais e profissionais.

Além dos métodos tradicionais, os cidadãos também serão incentivados a usar telefones celulares e outras ferramentas digitais “para declarar informações pessoais e familiares”, relatou a Xinhua.

A China realiza um censo nacional a cada 10 anos. A última pesquisa descobriu que a população havia aumentado de 1,29 bilhão para 1,37 bilhão. Também foi a primeira a incluir estrangeiros. Quase 600.000 cidadãos estrangeiros responderam à pesquisa em 2010 – a maioria era da Coreia do Sul, Estados Unidos e Japão.

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O censo fornece dados essenciais para a formulação de políticas nacionais, informações que estão se tornando cada vez mais importantes à medida que nota-se perda demográfica pela política do filho único.

Em 2010, o censo constatou que o número de pessoas com 14 anos ou menos caiu 6,2% em relação ao censo anterior.

Pequim começou a reverter sua polêmica política de filho único – na qual as mulheres eram sujeitas a abortos forçados, multas pesadas e despejo se tentassem ter um segundo filho – em 2015, conforme os problemas demográficos causados pela falta de filhos se tornavam cada vez mais aparentes.

O número de trabalhadores na China está diminuindo, com muitos jovens sustentando seus pais e dois avós, em um país onde ainda faltam serviços sociais para os idosos.

No ano passado, a taxa de natalidade do país atingiu seu nível mais baixo desde a fundação da República Popular em 1949. Mais de 250 milhões de chineses tinham mais de 60 anos no ano passado, revelaram as estatísticas. Eles representam mais de 18% da população.

Prevê-se que o número aumente para um terço da população em 2050 – ou 480 milhões de pessoas.
O censo deste ano pode até mostrar uma diminuição no tamanho total da população pela primeira vez em décadas, preparando o cenário para a Índia ultrapassar a China como o país mais populoso do mundo.

A Índia deveria começar sua própria contagem do censo no início deste ano, mas teve que atrasar as operações devido ao coronavírus.

A pandemia também representará algumas preocupações para a China, especialmente com milhões de funcionários do censo se deslocando pelo país. No entanto, a circulação do vírus tem sido baixa no território chinês, sem novas infecções domésticas relatadas no domingo, e apenas 12 casos importados.

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