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    No Estado da União, Biden promete restaurar direito ao aborto e fala de risco à democracia

    Evento deste ano ganha peso político com campanha presidencial; democrata não citou nominalmente Donald Trump

    Tiago Tortellada CNN

    O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, prometeu restaurar a lei que regulava o aborto nos Estados Unidos durante o discurso do Estado da União de 2024 nesta quinta-feira (7). Um grupo na plateia do Congresso estava de branco, em forma de protesto pelos direitos das mulheres.

    “Se os americanos me enviarem um Congresso que apoie o direito de escolha, prometo a vocês que restaurarei Roe v. Wade como lei do país novamente”, destacou.

    Biden começou sua fala afirmando que o país enfrenta um “tempo sem precedentes”, pontuando que a democracia está em ataque tanto internamente quanto no exterior.

    Ele citou a guerra na Ucrânia, pontuando que “se alguém nessa sala pensa que Putin [presidente da Rússia] irá parar na Ucrânia, asseguro que ele não irá”.

    Em seguida, afirmou que os ucranianos podem “parar Putin” se os EUA ficarem ao seu lado e fornecerem armas. Ao mesmo tempo, se disse determinado a não enviar soldados americanos à guerra na Europa.

    “Minha mensagem para Putin é simples: não iremos embora, não iremos nos curvar”, advertiu Biden.

    O democrata então comemorou a entrada da Finlândia e da Suécia na Otan, a aliança militar ocidental. O primeiro-ministro sueco estava presente no Capitólio para ouvir o discurso.

    “Fazer com que ricos paguem parte justa”

    Após falar sobre feitos econômicos de seu governo, Joe Biden ressaltou que é preciso fazer com que “ricos paguem a parte justa”, propondo imposto de 25% para bilionários.

    “Nenhum bilionário deveria pagar uma taxa de imposto federal mais baixa do que um professor, um trabalhador de saneamento ou uma enfermeira”, disse, sob aplausos da multidão.

    O presidente também sugeriu aumentar para 21% o imposto mínimo de companhias.

    O democrata abordou a economia em diversos pontos da fala, pedindo, por exemplo, a aprovação de um projeto para aumentar o salário mínimo e destacando que, para os EUA terem a maior economia do mundo, é necessário ter o melhor sistema de educação do mundo.

    Biden ressaltou ainda que quer competição com a China, não um conflito.

    Crítica a Trump e ataque ao Capitólio

    Mesmo sem citar Donald Trump nominalmente em nenhum ponto do discurso, o presidente dos Estados Unidos também fez críticas ao antecessor, que está quase certo de ser o adversário na eleição presidencial de novembro.

    Além de citar a fala do republicano de que deixaria a Rússia fazer “o que quiser” contra aliados da Otan que não estejam cumprindo com suas obrigações, relembrou o ataque ao Congresso dos EUA, em 6 de janeiro de 2021.

    Ele pontuou que Trump quer enterrar a verdade sobre o caso e que “você não pode amar o seu país apenas quando vence”.

    Crise na fronteira

    Um dos principais pontos, se não o principal, da campanha política de 2024 é a crise de migração na fronteira dos EUA com o México.

    Com o número de pessoas tentando cruzar a fronteira batendo recordes, Donald Trump usa a questão como bastão político.

    No discurso desta quinta, Biden pediu novamente para o Congresso aprovar um pacote bipartidário sobre ações para combater essa crise.

    Ainda assim, o democrata afirmou que não irá demonizar os imigrantes, mesmo destacando que é necessário “mudar a dinâmica da fronteira”.

    Neste ponto do discurso, uma parlamentar apoiadora de Donald Trump gritou para o presidente.

    “Israel deve fazer sua parte”

    Sobre o conflito na Faixa de Gaza, Joe Biden pontuou que o ataque do Hamas foi o dia mais mortal para o povo judeu desde o Holocausto.

    Ele ressaltou que Israel tem o “direito” de combater o Hamas, mas que o país precisa “fazer a sua parte” para proteger vidas civis e permitir a entrada de mais assistência humanitária no território palestino.

    Pontuando que os EUA estiveram envolvidos nas últimas seis semanas em negociações para um cessar-fogo, destacou que o grupo armado poderia dar um fim à guerra “libertando os reféns, abaixando as armas e entregando aqueles responsáveis pelo [ataque de] 7 de outubro”.

    Estado da União

    O discurso do Estado da União acontece todo ano, oportunidade em que o presidente em exercício fala ao Congresso e aos cidadãos, destacando feitos do seu governo e as políticas que está implementando ou quer implementar.

    Entretanto, a fala deste ano ganha também peso importante com a campanha eleitoral.

    Após as primárias da Superterça, na última terça-feira (5), nas quais Biden e Donald Trump conseguiram vitórias expressivas, está quase certo que em novembro será uma revanche da eleição de 2020 entre os dois candidatos.