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    Eleições nos EUA: entenda o que está em jogo nas primárias republicanas da Carolina do Sul

    Estado escolhe seu candidato a presidência neste sábado (24); resultado deve sair após as 21h

    Ex-presidente dos EUA, Donald Trump, e a ex-governadora da Carolina do Sul, Nikki Haley.
    Ex-presidente dos EUA, Donald Trump, e a ex-governadora da Carolina do Sul, Nikki Haley. REUTERS/Brian Snyder - Joe Raedle/Getty Images

    Gregory KriegZachary B. WolfEthan Cohenda CNN

    A campanha presidencial de Nikki Haley tem aguardado há semanas as primárias republicanas na Carolina do Sul, seu estado natal, onde foi eleita duas vezes governadora. A nova rodada de votações ocorre neste sábado (24).

    Depois de perder para o ex-presidente Donald Trump em Iowa e New Hampshire, depois em Nevada e nas Ilhas Virgens, a candidatura de Haley à indicação presidencial do Partido Republicano corre risco.

    O estado de Haley parece pesar ainda mais a balança para o lado de Trump. O ex-presidente liderou em todas as pesquisas na Carolina do Sul, mesmo após Haley entrar na disputa.

    A maioria dos políticos republicanos eleitos no estado apoiam Trump, e baseado no “teste ocular”, – especialmente quando se trata do tamanho da multidão nos comícios de campanha – a vitória do ex-presidente parece certa.

    Trump pode acabar com a disputa?

    “Conhecemos as probabilidades. Sabemos o que está em jogo”, disse a gerente de campanha de Haley, Betsy Ankney, na sexta-feira (23). “De olhos bem abertos, vamos levar as flechas, vamos levar as pedras, mas estamos focados na luta que temos pela frente.”

    A “candidata local” insiste que, independentemente do resultado, ela continuará até a Super Terça – dia no qual diversos estados escolhem sua preferência para a corrida presidencial – em março e potencialmente depois.

    No início desta semana, ela disse aos seus apoiadores – e a outros que questionavam seu poder de permanência – que estava se esforçando.

    Contudo, Trump ainda assim tem o apoio de mais de 60% dos eleitores republicanos nas primárias em várias pesquisas recentes – superando de longe Haley, que oscilou em torno de 30%.

    As atenções então devem se voltar para a margem de vitória de Trump. A questão: existe uma diferença que poderia fazer Haley repensar os seus planos de seguir na corrida?

    Por que Haley ainda está na disputa?

    A pré-candidata intensificou as críticas ao rival nas últimas semanas, concentrando-se particularmente nos julgamentos que o ex-presidente enfrenta, no fato de Trump evitar associar Putin à morte de Alexey Navalny, e na idade avançada dele e de Biden.

    Haley disse à CNN Internacional na semana passada que tanto Trump quanto Biden estão “mentalmente diminuídos”.

    “Não vou a lugar nenhum”, disse Haley. “Estou lutando contra isso, porque temos um país para salvar. Estou lutando contra isso porque não quero que meus filhos vivam assim. Não quero que os filhos de ninguém vivam assim.”

    Quais as suas chances na Carolina do Sul?

    A derrota é o mais provável, embora Haley tenha obtido uma vitória inesperada nas primárias de 2010.

    Ela e seus aliados gastaram muito mais que Trump em publicidade, com quase US$ 15 milhões investidos visando as primárias da Carolina do Sul, em comparação com os US$ 1,3 milhão gastos pela campanha trumpista, embora os anúncios pró-Trump tenham aumentado nas últimas semanas.

    Mesmo que os gastos da campanha de Haley e dos seus aliados sejam muito superiores aos de Trump, são menos de metade do que foi gasto em New Hampshire ou Iowa, dois estados que ela perdeu.

    Muito do que fez de Haley uma figura política nacional – o seu apelo como governadora para a remoção da bandeira confederada do parlamento – é mal visto pela base conservadora do Partido Republicano no estado.

    Ela tem conflitos com quase todos os líderes estaduais. Trump, entretanto, dominou o estado. A Carolina do Sul foi o único da Costa Leste onde ele venceu por dois dígitos nas eleições gerais de 2020.

    As esperanças de Haley residem no fato de as primárias na Carolina do Sul serem abertas. Isso significa que democratas e independentes podem votar na corrida republicana.

    Esses são os eleitores, juntamente com os conservadores mais tradicionais, que compõem a (teórica) coligação Haley. E eles sabem que qualquer resultado que não seja uma exibição forte da ex-governadora pode significar o fim.

    New Hampshire era uma oportunidade semelhante, em termos de regras de votação, e Trump ainda venceu as primárias republicanas por 11 pontos, com 54% dos votos.

    De olho na Super Terça

    A campanha de Haley espera que a situação de “vida ou morte” sirva como um apelo para um impulso anti-Trump tardio. Um que pode ser levado a outros estados com primárias abertas, como Michigan na próxima semana e Texas e Virgínia na Super Terça.

    Mesmo que perca a Carolina do Sul, à rigor, Haley não estaria fora da disputa, uma vez que são necessários pelo menos 1.215 delegados para assegurar a nomeação.

    Apenas 50 delegados estão em jogo no estado. A caminho das primárias da Carolina do Sul, Trump lidera com 63 delegados contra 17 de Haley. Portanto, ainda há um longo caminho a percorrer.

    O maior pote de delegados estará em disputa na Super Terça, em 5 de março. O primeiro dia em que Trump poderá atingir a meta de delegados será 12 de março.

    A matemática dos delegados

    A Carolina do Sul concede 29 de seus delegados ao vencedor estadual e mais três para o vencedor em cada um de seus sete distritos eleitorais.

    Embora ainda seja cedo no calendário primário, está ficando tarde para Haley. Mais de 850 delegados estarão em jogo na Superterça, em 5 de março, quando estados como Califórnia e Texas votam. Isso representa cerca de 35% de todo o pote de delegados.

    Haley, então, mira os delegados de seu estado natal para diminuir a diferença e não ficar matematicamente fora da disputa.

    Mas se nesta noite Trump vencer na casa da rival, a viabilidade da candidatura de Haley estará em xeque.