Eleições nos EUA: Trump precisa vencer na Carolina do Norte, onde está perdendo

Pesquisa mostra que ex-vice-presidente Joe Biden conta com uma pequena vantagem de 48% a 44% entre os prováveis eleitores

Presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca
Presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca Foto: Carlos Barria - 30.jul.2020 / Reuters

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Cédulas de ausentes começarão a ser enviadas pelos serviços postais aos eleitores da Carolina do Norte dentro de apenas 33 dias, e uma nova pesquisa da CBS News/YouGov revela um cenário ameaçador para o presidente Donald Trump no estado.

O ex-vice-presidente Joe Biden conta com uma pequena vantagem de 48% a 44% entre os prováveis eleitores. Na semana passada, uma enquete da NBC News/Marist College deu ao democrata uma vantagem de sete pontos percentuais.

Praticamente não tem como Trump vencer a eleição sem uma vitória na Carolina do Norte. Além disso, uma vitória de Biden no estado pode ajudar os democratas em sua disputa pela maioria no Senado, em janeiro.

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A Carolina do Norte é conhecida como um estado que oscila quanto ao apoio político, mas se inclina em direção ao Partido Republicano. Em 2016, Trump venceu na região por 4 pontos. A nova pesquisa da CBS News/YouGov mostra que hoje a situação é o inverso.

Em 2012, o ex-presidente Barack Obama perdeu no estado por 2 pontos, mas ganhou nacionalmente por 4 pontos. Na verdade, o único democrata a vencer na Carolina do Norte nos últimos 40 anos foi Obama, em 2008. Foi uma vitória estreita: por 0,3 pontos.

Se a posição atual de Biden na Carolina do Norte fosse o resultado final das eleições norte-americanas, seria a melhor performance democrata desde que Jimmy Carter venceu no estado por 11 pontos em 1976.

Nenhum republicano venceu a eleição dos EUA sem uma vitória na Carolina do Norte desde que Dwight Eisenhower conseguiu esse feito em 1956.

Biden não precisa levar esse estado para chegar à presidência. Vencer lá seria a cereja do bolo para ele. O melhor caminho para o democrata chegar à Casa Branca provavelmente passa pela região dos Grandes Lagos, no nordeste do país.

Contudo, Trump não tem esse luxo. Biden está atualmente com uma vantagem um pouco maior do que na Carolina do Norte em todos os estados onde Hillary Clinton venceu em 2016, como Flórida, Michigan, Pensilvânia e Wisconsin. Ele também deve se sair bem no Arizona. Esses estados juntos, sem a Carolina do Norte, devem dar a Biden cerca de 320 votos no colégio eleitoral.

Se Trump perder na Carolina do Norte, certamente deve perder estados suficientes para ficar aquém da maioria do colégio eleitoral.

Na verdade, a Carolina do Norte é um reflexo do mapa do colégio eleitoral neste momento. Biden está vencendo onde precisa vencer. Trump, no entanto, está com problemas na maioria dos estados que precisa levar.

Nesta segunda-feira (3), outra pesquisa da CBS News/YouGov colocou Biden e Trump dentro da margem de erro (46% a 45%) na Geórgia entre os prováveis eleitores. Isso após a divulgação de uma pesquisa da Universidade de Monmouth, que mostrava os dois empatados com 47% entre os eleitores registrados. A Geórgia não é um estado democrata em uma eleição presidencial desde 1992.

Disputa pelo Senado

Mas enquanto a Carolina do Norte pode não ser necessária para Biden vencer e chegar à Casa Branca, é uma peça-chave nos esforços dos democratas para retomar o Senado. Eles precisam ganhar com uma vantagem três assentos (se Biden mantiver sua liderança sobre Trump e seu vice-presidente se tornar o voto de desempate) ou quatro assentos (se Trump vencer).

Os democratas têm mantido uma liderança em relação aos assentos republicanos no Arizona, Colorado e Maine, enquanto engatinha no Alabama. Uma vitória na Carolina do Norte provavelmente os colocaria no caminho para obter a vantagem de três assentos.

A pesquisa CBS News/YouGov dá ao democrata Cal Cunningham uma vantagem de 48% a 39% sobre o republicano Thom Tillis, que disputam um assento no Senado pela Carolina do Norte. Na semana passada, a pesquisa da NBC News/Marist College havia colocado Cunningham com 9 pontos à frente.

A ampliação da liderança de Cunningham é um exemplo de como a posição democrata tem melhorado bastante em relação há algumas semanas, quando ele e Tillis estavam praticamente empatados. Na luta pelo Senado, as chances de os democratas vencerem na Carolina do Norte aumentaram desde então.

Vale ressaltar que as pesquisas na Carolina do Norte subestimaram Trump e o senador republicano Richard Burr em 2016. Contudo, Biden e Cunningham estão à frente, enquanto naquele ano os candidatos democratas para a presidência e o Senado rastejavam no fim da campanha eleitoral. Na verdade, Cunningham está se saindo melhor do que a candidata democrata ao Senado Deborah Ross se saiu em 2016.

É fato que os democratas estão em uma posição melhor do que estavam naquele ano. Se os republicanos querem vencer em 2020, não podem apostar suas esperanças em um erro de pesquisa. Precisam fazer mais.

Por outro lado, se derrotado, Trump não vai apenas perder a presidência. Ele vai levar a maioria republicana no Senado com ele.

(Texto traduzido, clique aqui e leia o original em inglês)

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