Em países em conflito, mulheres podem ter menos acesso a testes da Covid-19
No Paquistão, Afeganistão e Iêmen, mais de 70% dos casos de Covid-19 reportados eram de homens, em comparação à média global de 51%

A enorme diferença entre gêneros nos números de infectados pelo novo coronavírus em regiões da África e do Oriente Médio sugerem que as mulheres podem estar com dificuldades para ter acesso a testes ou tratamentos para a doença, informou uma agência de ajuda humanitária nesta quarta-feira (24).
No Paquistão, Afeganistão e Iêmen, mais de 70% dos casos de Covid-19 reportados eram de homens, em comparação à média global de 51%. O mesmo foi verificado na República Centro-Africana, Chade e Somália, afirmou o Comitê de Resgate Internacional (IRC).
“O que estamos vendo é uma situação na qual mulheres estão sendo deixadas de fora das testagens e a saúde delas não é considerada prioridade”, disse Stacey Mearns, conselheira técnica de emergência de saúde do IRC. “Isso pode ter sérias consequências para o bem-estar físico delas.”
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A Organização Mundial de Saúde (OMS) pediu aos países que reportem os casos confirmados de Covid-19, separados por gênero e idade, para que seja possível analisar quem é mais afetado.
Pouco menos da metade dos casos confirmados no mundo têm sido reportados com informação sobre gênero e idade. Com isso, qualquer interpretação de diferenças entre homens e mulheres quanto à doença deve ser feita com cuidado, afirmou a OMS em maio.
Até esta semana, o novo coronavírus já infectou cerca de 9 milhões de pessoas e matou quase meio milhão, segundo cálculos da agência Reuters.
Estudos da China, Europa e Estados Unidos mostraram que homens têm mais chances de serem hospitalizados ou morrerem de Covid-19 do que as mulheres. Em grande parte da Europa, o número de casos registrados é aproximadamente igual entre esses os dois.
A testagem é extremamente limitada na maioria dos países subdesenvolvidos, e ainda mais nas áreas de conflito, onde há a maior diferença de casos entre os gêneros, de acordo com o IRC.
As mulheres em zonas de guerra costumam ter mais dificuldade para conseguir serviços de saúde em razão da discriminação e desigualdade de gênero, informou a agência.
Em todo o mundo, especialistas alertam que as mulheres podem sofrer mais o peso do impacto do vírus porque têm menos acesso a sistemas de saúde, mais chances de estarem em uma função sem remuneração e estão mais propensas a perder o emprego.