Em telefonema, Vieira diz que ataque dos EUA viola Carta da ONU, afirma Irã

Chanceleres conversaram sobre captura de Nicolás Maduro e ressaltaram necessidade de cooperação entre países em desenvolvimento

Tiago Tortella, da CNN Brasil, em São Paulo
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O Irã afirmou nesta terça-feira (6) que o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, conversou por telefone com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Araghchi. Na ligação, eles teriam abordado o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e ressaltado a necessidade de cooperação entre países em desenvolvimento.

Segundo o comunicado, Vieira concordou com a posição da chancelaria iraniana de que a operação americana fere a Carta da ONU. Não ficou claro quando a ligação teria ocorrido.

"O ministro das Relações Exteriores brasileiro, por sua vez, elogiou a posição de princípio da República Islâmica do Irã a esse respeito, descrevendo a ação dos EUA de sequestrar o presidente de um país independente como uma clara violação da Carta da ONU", pontuou o ministério em publicação no X.

No telefonema, Abbas Araghchi também chamou atenção sobre as "perigosas consequências e repercussões" para o Estado de Direito do que classificou como intimidação dos Estados Unidos.

O ministro iraniano ressaltou ainda que "tais ações unilaterais minam seriamente os fundamentos de uma ordem baseada no direito internacional e normalizam o uso da força".

O Itamaraty confirmou à reportagem que Mauro Vieira teve a ligação com Seyed Abbas Araghchi. Segundo a pasta, o chanceler tem mantido contato com homólogos de diversos países nos últimos dias, após a operação militar dos EUA.

Isso inclui o Irã, mas também França, Colômbia, Espanha, Venezuela e a representante da União Europeia, entre outros.

Brasil e Irã falam sobre cooperação

Um outro ponto abordado na conversa entre Vieira e Abbas Araghchi foi a cooperação entre países em desenvolvimento.

Os chanceleres "enfatizaram a necessidade de estreita cooperação e coordenação entre os países em desenvolvimento em fóruns internacionais, a fim de combater o unilateralismo e apoiar o direito internacional e os princípios da Carta da ONU", destacou a nota.

Brasil diz que captura de Maduro é "sequestro"

Em reunião do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos, o Brasil afirmou que a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos foi um "sequestro".

"Os bombardeios no território da Venezuela e o sequestro do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e ameaçam a comunidade internacional com um precedente extremamente perigoso", afirmou.

A fala também reforça o ponto levantado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que pontuou ainda no sábado (3), dia em que os EUA realizaram a operação na Venezuela, de que a ação ultrapassa uma linha inaceitável.

Ele também destacou que o ataque é uma "afronta gravíssima à soberania" e abre um precedente perigoso.