Emirados Árabes criam rotas além de Ormuz para escoar petróleo
Medida visa evitar que o comércio e a energia fiquem reféns do conflito entre Estados Unidos e Irã no estreito

Os Emirados Árabes Unidos tem construido rotas alternativas para as exportações de energia e seu comércio, a fim de garantir que não fiquem "reféns" da guerra em curso entre os Estados Unidos e o Irã, afirmou nesta segunda-feira (7) Anwar Gargash, conselheiro presidencial dos Emirados.
O conflito teve um impacto significativo sobre os Estados árabes do Golfo, incluindo os Emirados Árabes Unidos, depois que Teerã disparou mísseis contra o país e atacou seus navios-tanque no Estreito de Ormuz.
"Nossas exportações de energia não ficarão reféns, assim como nosso comércio e nossa atividade econômica", disse Gargash no Fórum Hili, em Abu Dhabi.
Os Emirados vêm ampliando a capacidade portuária em sua costa leste e desenvolvendo oleodutos, ferrovias e rotas comerciais para corredores alternativos, acrescentou ele.
Embora tenha reconhecido que as relações com o Irã poderiam, eventualmente, ser restabelecidas, Gargash alertou que a reconstrução da confiança após os ataques pode levar décadas.
Ele também criticou os Estados árabes do Golfo por não terem organizado uma resposta coordenada ao Irã, afirmando que eles não conseguiram transformar preocupações comuns em uma estratégia unificada.
Aliança com os EUA não é suficiente
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar ecoou preocupações semelhantes em um fórum de formuladores de políticas, afirmando que os países árabes do Golfo não devem depender exclusivamente de sua parceria estratégica com os Estados Unidos para garantir a segurança.
"Precisamos compreender, no Golfo, que a presença de forças internacionais na região e uma aliança estratégica com os EUA são muito importantes, mas não são suficientes", disse Majed al-Ansari.
"A autossuficiência em termos de segurança é o único caminho a seguir. Sim, precisamos de nossos parceiros. Sim, precisamos de nossos aliados, mas não podemos depender apenas deles para a nossa segurança", afirmou ele.
Gargash argumentou que, embora a parceria com os EUA seja essencial, o conflito de seis meses evidenciou a importância das capacidades nacionais.
"Nossa segurança é nossa prioridade máxima. Quando dependemos inteiramente de outros, nem sempre podemos presumir que ela será a prioridade deles", acrescentou ele.
Durante décadas, os líderes das nações árabes do Golfo Pérsico encararam sua relação com os EUA como uma parceria estratégica. Ainda não está claro como evoluirá a relação dos Estados do Golfo com o governo Trump após a guerra.
Hormuz continua sendo um ponto de impasse
O Irã concretizou sua ameaça de fechar o Estreito de Ormuz, outrora uma via de escoamento para um quinto do suprimento global de energia. A interrupção fez os preços da energia dispararem e desencadeou uma crise econômica mundial.
A situação da via navegável continua sendo um obstáculo central nas negociações entre Washington e Teerã — mediadas pelo Catar e pelo Paquistão —, com o Irã alegando que o estreito pertence ao Irã e a Omã, posição amplamente rejeitada pelos Estados do Golfo.
"A liberdade de navegação não é uma concessão a ser feita, nem um princípio a ser renegociado sob pressão", afirmou Gargash, acrescentando que qualquer solução de longo prazo deve incluir garantias confiáveis contra novos ataques iranianos aos Estados árabes do Golfo.
O conflito, desencadeado por ataques dos EUA e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, permanece em um impasse. Um cessar-fogo preliminar alcançado em junho fracassou, e houve pouco progresso nos esforços para retomar o processo de paz.
Com informações da CNN*


